Betrayal at the House on the Hill

Betrayal at House on the Hill foi um jogo lançado em 2004 mas que ganhou muito maior interesse entre jogadores após o lançamento da segunda edição em 2010. Desde então tem vindo a ser cada vez mais falado e jogado, ao ponto de ter sido lançado recentemente (em Outubro de 2016) a primeira expansão para este jogo, Widow’s Walk. Na sua essência, Betrayal at House on the Hill pode ser descrito como um jogo diferente de cada vez que se joga, onde os jogadores entram numa casa assombrada para a explorar até que um é amaldiçoado ou fica maluco e tenta matar todos os outros.

O jogo consiste em duas fases: a primeira de exploração e melhoramento das personagens, que serve de preparação para a segunda fase, a da assombração. Será nessa segunda fase que se revelam os objectivos tanto para o que trai os restantes companheiros, como para os jogadores que vão tentar sobreviver.

Cada personagem tem um cartão específico que define os seus 4 atributos principais: velocidade, força, conhecimento e sanidade. Cada cartão fornece duas variantes da personagem, com atributos diferentes. Ao longo do jogo, estes atributos vão variando, para melhor ou para pior.

A casa que os jogadores exploram é ‘construída’ por estes à medida que o jogo avança. Inicialmente só começam disponíveis as telhas correspondentes ao hall de entrada, a telha de entrada do andar superior e da cave. Cada jogador poderá, no seu turno, mover-se por uma porta da telha em que se encontra, revelando assim mais uma divisão da casa. Esse jogador coloca uma nova telha, tirada da pilha de telhas da casa, e coloca-a no lado por onde entrou, com a orientação que quiser mas sempre de forma lógica a tentar criar o maior número de ligações/portas aos quartos adjacentes já descobertos. Mas não se coloca uma telha qualquer, coloca-se apenas uma telha cujo verso indique que essa telha possa ser colocada no andar onde o jogador se encontra. Se a primeira não der, retira-se a segunda e por aí fora, até encontrar uma telha válida, colocando as restantes na pilha de descarte.

componentes de Betrayal at House on the Hill

Por turno, cada jogador poderá mover-se para uma telha (descoberta ou não) um número de vezes igual à velocidade da personagem. Poderá também utilizar objectos e até mesmo cartas de ‘augúrio’, lendo a respectiva carta e resolvendo o efeito mencionado nela (efeitos que muitas vezes requerem lançamento de dados). Quando um jogador entra numa sala, deverá resolver o seu efeito e tirar cartas de acordo com o símbolo que aparece na telha (se existir): carta de objecto, carta de augúrio e/ou carta de evento.

A primeira fase do jogo continua até a assombração começar. No final do turno de cada jogador, quem jogou deverá lançar um dado. Se o resultado for inferior ao número total de cartas de augúrio já adquiridas pelos jogadores, a assombração começa e o jogo passa para a segunda fase. O jogador que iniciou a assombração deverá pegar no Manual dos Sobreviventes ou no Manual do Traidor e na primeira página tem a informação de quem será o traidor para o cenário que se está a jogar, bem como a história desse mesmo cenário (a história determina os objectivos do traidor e dos sobreviventes). A informação sobre quem é o traidor é revelada ao grupo e a partir daí o grupo divide-se. O jogador que controlar o traidor deverá ir para um lado da sala com o Manual do Traidor para ler os seus objectivos e habilidades novas. Já os restantes jogadores devem juntar-se e secretamente ler os seus objectivos no Manual dos Sobreviventes. Nem eles devem saber qual o objectivo do traidor nem o traidor saber o deles.

O jogo continua, sendo que o traidor só terá o seu turno depois de cada outro jogador ter tido o seu. Se o traidor controlar monstros, estes jogam depois dele. Todas as regras anteriores mantêm-se, mas deixa de ser necessário fazer lançamento de dados para revelar a assombração. Cada jogador deverá indicar o que vai fazer a toda a mesa, incluindo o traidor e vice-versa, mas sem revelar o porquê disso (geralmente os sobreviventes discutem a sua estratégia depois de lerem a respectiva história no Manual dos Sobreviventes, quando o traidor está a ler do seu manual).

Betrayal at the House on the Hill

Para além das regras básicas, há ainda as regras de ataques. Quando ataca, o jogador rola um numero de dados igual ao número da Força da sua personagem e o alvo do ataque faz o mesmo. O dano sofrido é igual à diferença entre os dois resultados. Ao sofrer dano, a personagem deverá perder espaços em Força e/ou Velocidade, cujo total de espaços seja igual ao dano dado. Isto para o dano físico. Algumas cartas ou habilidades podem dar ‘dano mental’, sendo que aí o jogador deverá baixar espaços na Sanidade e/ou Conhecimento.

Em termos de regras especiais, o traidor ganha a habilidade de se mover por qualquer sala podendo ignorar o efeito dela (desde que não seja um efeito que dê dano) e pode escolher não ser afectado por cartas de evento, para além de habilidades que ganhe relativas à história que está a ser jogada. Já os monstros, quando os há, podem ignorar os efeitos das salas (desde que não seja um efeito que dê dano), movem-se com regras próprias e não podem ser mortos (na maioria dos casos, quando um monstro sofre dano limita-se a ficar parado, inconsciente, durante 1 turno) mas não podem carregar equipamento nem explorar novas salas.

O jogo acaba quando o traidor ou os sobreviventes conseguirem concluir os seus objectivos. Basta que um sobrevivente complete a missão para todo o grupo de sobreviventes ganhar.

 

A expansão Widow’s Walk veio trazer mais 50 assombrações ao jogo, equipamento e eventos e adiciona ainda um novo andar à casa, o sótão, tornando assim o jogo ainda mais interessante.

O sucesso de Betrayal at House on the Hill, e a sua presença entre os mais famosos e adorados boardgames, não é surpresa nenhuma dado o excelente e simples jogo que é. A enorme quantidade de assombrações permitem-nos ter dezenas de horas de jogo sem que este deixe de ser repetitivo. E a sua essência agradará igualmente a fãs de roleplaying games e de boardgames, pelo que não devem evitar experimentá-lo.

 

Número de jogadores: 3 a 6

Número ideal de jogadores: 5 a 6

Duração de uma partida: 60 minutos

Complexidade: Bastante simples de jogar e aprender, a complexidade de Betrayal at House on the Hill torna-o um jogo apelativo até mesmo para quem tem pouca experiência em jogos de tabuleiro.

Replayability: Com um cenário que muda em cada jogo, e com 50 assombrações diferentes (número que é duplicado com a expansão), só é possível sentir que um jogo de Betrayal at House on the Hill é igual ao anterior depois de se jogar várias dezenas de vezes.

Avaliação pessoal: 8,2/10

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