12 anos após o lançamento de Sim City 4, nenhum jogo “city building contemporâneo” lhe tem chegado perto. Considerado pela comunidade de fãs desse tipo de jogos como o pináculo do género, e usado como comparação para todos os títulos seguintes, o que se tem verificado é que fazer melhor parece impossível. Jogos como City Life 2008, Cities XL e até mesmo SimCity 2013 têm apresentado algumas melhorias, capitalizando-as como foco principal do jogo, mas falham em muitos outros aspectos que acabam por receber más críticas por parte dos fãs. Cities: Skylines, criado pela Colossal Order e publicado pela Paradox Interactive, consegue, felizmente, inverter um bocado essa tendência, sendo bem recebido pela comunidade, mas ainda está longe de ser tão vasto e complexo como Sim City 4.

 

O que é Cities: Skylines?

Como foi referido, é um jogo “city building contemporâneo” onde o jogador planeia e gere uma cidade moderna. O jogador terá de desenhar a rede de estradas, decidir onde os vários edifícios são colocados, criar bairros e gerir serviços como saúde, electricidade, água, etc enquanto se debate com problemas que acabam por ocorrer: poluição, tráfego, falta de dinheiro, etc.

Em Cities: Skylines, ao contrário do que acontece com SimCity 2013, não é obrigatório estar ligado à net. Ao contrário do que acontece também em SimCity 2013 e em Cities XL (os últimos mais famosos títulos do género), o jogador não é obrigado a ter de construir várias cidades, ou jogar em multiplayer com outros jogadores, para que a sua cidade possa funcionar. Cada cidade é independente e os mapas não estão ligados uns aos outros.

O jogo começa com um mapa vazio, possuindo apenas aquilo a que se chamam de “ligações ao mundo”: auto-estradas, caminhos de ferro e trajectórias de navios. Semelhante a SimCity 2013, a área inicial de construção é um quadrado com 2 km de lado mas ao contrário desse, à medida que o jogo avança pode-se adquirir mais terreno para expandir a cidade (evitando assim o grande erro que a Electronic Arts cometeu ao limitar as cidades em SimCity 2013 a essa minúscula área).

O jogador terá depois de planear a sua cidade como quiser, ligando-a claro ao resto do mundo através dessas ligações, e deverá desenvolvê-la sempre que possível. Quanto mais a desenvolver mais dinheiro ganha e mais consegue investir. Desenvolvendo pouco, corre-se o risco de entrar em débito, levando a cidade à falência e perdendo o jogo. Como qualquer jogo deste género, Cities: Skylines é puramente um “sandbox game”, sem quaisquer objectivos pré-definidos a não ser o de criar a melhor e maior cidade que conseguirmos.

Como qualquer jogo do género, Cities: Skylines fornece algumas noções de gestão e planeamento urbano. Quanto mais complexo for o jogo, mais aproximadas são essas noções da realidade. A distribuição de áreas pode estar sob controlo do jogador mas se não forem bem pensadas a cidade não cresce. E assuntos como impostos, tráfego, trabalho existente, poluição e serviços afectam diretamente as exigências da cidade no que toca a áreas para crescimento de edifícios Residênciais, Comerciais e Industriais (o famoso RCI).

Mas mesmo com o RCI elevado, e bairros a desenvolverem-se, estes podem cair rapidamente no empobrecimento ou mesmo abandono, se forem mal posicionados, se as pessoas que neles vivem forem forçadas a deslocar-se para longe por uma cidade onde o tráfego simplesmente não avança, se não existirem serviços suficientes, ou se existir tanta poluição à volta que se torna impossível melhorar as condições de vida de quem lá vive. No fim, tudo vai acabar por levar a um rendimento, ou falta dele, para a cidade. Quanto melhor for a qualidade de vida, maior será o “land value”, o que por sua vez aumenta as taxas que cada edifício paga (o equivalente ao nosso IMI). E sem dinheiro não se pode fazer uma cidade crescer.

Típica cidade de Cities: Skylines