Dead of Winter logo

Dead of Winter é um excelente boardgame cooperativo e competitivo que mistura um mundo pós-apocalíptico dominado por zombies e um inverno rigoroso. Neste jogo lançado pela Plaid Hat Games, cada jogador toma controlo de um grupo de sobreviventes que vive em conjunto com outros grupos numa colónia. Os jogadores devem trabalhar em conjunto para atingir o objectivo principal mas cada um deverá trabalhar individualmente para atingir o seu objectivo secreto. Com dezenas de personagens disponíveis, bem como dezenas de objectivos, o jogo pode envolver jogadores a tentar atingir objectivos que nem fazem muito mal à colónia, outros que a tentam expandir, ou pior serem traidores e sabotadores que procuram impedir que o objectivo principal seja atingido ou que queiram vingança contra a colónia.

Em Dead of Winter o tabuleiro encontra-se dividido entre o tabuleiro da colónia e o das várias localizações. A cada jogador é entregue uma carta com as acções e onde o jogador coloca as suas pertences e personagens que fazem parte do seu grupo. A cada jogador é entregue um objectivo secreto (dos quais um poderá ser traidor) e tira-se um objectivo principal que estará presente durante todo o jogo. Entrega-se de seguida 4 personagens diferentes e cada jogador sendo que duas são depois devolvidas à pilha de personagens, e cada jogador deverá depois escolher qual destas é a líder do grupo e quais são as seguidoras. Cada personagem tem habilidades especiais e estatísticas únicas para realizar as acções principais de combate e exploração. O líder que tiver maior valor de ‘influência’ (visto no canto superior direito da carta de personagem) é o primeiro a jogar, sendo que quando vários jogadores tiverem de ser afectados começa-se pela personagem com o menor valor de ‘influência’.

Para além do objectivo, em cada ronda ocorrerá uma crise que se não for resolvida afectará negativamente toda a colónia. Desde baixar a morale a dar dano às personagens ou mesmo adicionar mais zombies à horda, a sua resolução é essencial. Para a resolver, os jogadores devem gastar cartas com o símbolo indicado pela crise mas fazem-no secretamente e por ordem de jogada. Pode haver alturas em que não há interesse, por parte de um jogador (principalmente por parte do traidor), em resolver a crise. Dependerá dos objectivos secretos de cada um.

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Quando todo o tabuleiro estiver montado e já tiver sido determinada a ordem de jogo, dá-se o início da ronda. Em cada ronda os jogadores jogam em primeiro, no sentido dos ponteiros do relógio. Para jogar cada jogador deverá lançar um número de dados igual ao número de personagens que controla +1. Estes dados representam acções principais que podem ser realizadas:

– Atacar: permite matar zombies automaticamente mas correndo o risco de ‘exposição’. Para tal rola-se o dado vermelho que pode resultar em nenhuma ferida, numa ferida simples (personagens morrem quando tiverem 3 feridas), numa ferida de congelamento (no final de todos os turnos a personagem ganha uma ferida simples por cada ferida de congelamento), ou ser mordida por um zombie, morrendo imediatamente e espalhando a doença para a personagem que esteja nessa mesma localização e tenha a ‘influência’ mais baixa. Se essa personagem não for morta imediatamente, pode espalhar a doença e assim matar mais gente. Atacar permite também dar dano a outras personagens.
– Explorar: permite obter equipamento e sobreviventes extras. Esta exploração é sempre feita nas localizações fora da colónia. Durante a exploração tira-se geralmente uma carta do baralho (e fica-se com ela). Se o jogador quiser pode fazer mais barulho, numa pesquisa mais descuidada mas que permite ao jogador ver mais uma carta do baralho e decidir com quantas quer ficar (isto pode ser feito até 4 vezes por localização e mais do que uma vez por cada acção de explorar).
– Construir barricada num espaço de zombie de uma localização onde a personagem está. Quando um zombie tiver de entrar nesse espaço este é morto mas a barricada é destruída.
– Remover o lixo da colónia, ou seja remover cartas da pilha de descarte. Isto porque no final da ronda demasiado lixo pode afectar a moral dos sobreviventes (ninguém gosta de viver no lixo, muito menos sobreviventes que até estavam habituados a um nível de vida razoável).
– Atrair 2 zombies para a localização onde está a personagem (útil para aliviar a colónia ou outras localizações).
– Usar habilidades de personagens, aquelas que forem acções claro.

Para usar uma acção destas com uma personagem o jogador deverá mover um dos dados para o espaço de dados usados. Mas atenção, para algumas habilidades de personagem, para atacar ou para explorar é necessário usar um dado com um valor específico ou superior, tal como é indicado na personagem. Felizmente não estamos limitados a um dado por personagem, pode-se usar qualquer número de dados com uma só personagem.

Existem também acções que não consomem dados, como jogar cartas (para fazer o seu efeito, equipar uma personagem, ou gastar para tentar resolver a crise), mover a personagem entre localizações e/ou colónia (mover, contudo, arrisca também ‘exposição’), usar comida para aumentar o resultado de um dado não usado em +1, pedir equipamento, entregar equipamento ou votar para exilar um jogador e todo o seu grupo (útil caso se descubra quem é o traidor, ou mesmo para tentar minimizar o impacto das crises e a necessidade de comida). Mas cuidado com o exilar, pois se exilam dois jogadores e nenhum deles era o traidor, a moral baixa imediatamente para 0 e o objectivo principal não é concluído (embora o objectivo secreto do traidor ainda possa ser concluído).

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Depois de se realizarem as várias acções disponíveis, vem a fase da colónia onde o jogo reage às várias acções. Visto Dead of Winter ser sobre uma colónia de sobreviventes de um apocalipse zombie durante o inverno, é imperativo alimentar personagens e também ‘sobreviventes desamparados’, que nada fazem na colónia a não ser aumentar a necessidade de comida (como por exemplo, idosos e crianças, sobreviventes que já não têm, ou ainda não possuem, a capacidade de ajudar nas várias tarefas). Sem comida, passa-se fome a moral baixa. Depois deve-se verificar se o lixo não atulhou a colónia, ou a moral baixa.

De seguida verificam-se as cartas gastas para a resolução da crise. Visto terem sido jogadas secretamente, viradas para baixo, e baralhadas antes de se verificar quais foram gastas, nunca se fica a saber ao certo quem pode ter prejudicado o grupo. Se isso não acontecer, está tudo bem e a crise não é resolvida. De facto, se gastarem mais do que o necessário, ainda aumentam a moral da colónia, representando o quão determinado e unido todo o grupo está.

No final adicionam-se zombies, que entram dependendo do número de personagens e ‘sobreviventes desamparados’ na colónia e em cada localização e que se não forem bem contidos podem matar pessoal e espalhar a doença. Atenção também aos marcadores de ‘barulho’, que podem adicionar mais zombies.

Depois disto feito, passa-se o marcador de primeiro jogador, verifica-se se o objectivo principal foi concluído ou não e caso tal não se verifique passa-se para uma nova ronda.

No geral, Dead of Winter até é simples, embora tenha bastantes regras e detalhes a ter em conta. A estratégia necessária de cooperação e jogo solitário é bastante interessante e determinante. Contudo o jogo está longe de ser fácil. A moral é essencial e quase tudo a faz descer. Se uma personagem de um jogador não exilado morrer, a moral baixa. Não ter comida baixa a moral. Ter demasiado lixo baixa a moral. Se um ‘sobrevivente desamparado’ morre, baixa-se a moral. Entre outros eventos. E o jogo tem rondas limites para ser concluído, dependendo do objectivo principal.

Mas Dead of Winter não se limita a ser um jogo de estratégia, é também um jogo onde uma história é contada e onde os jogadores, individualmente ou em conjunto, têm de tomar decisões que podem afectar toda a colónia. No ínicio de cada turno, o jogador à direita de quem está a jogar deverá tirar do baralho uma carta de ‘encruzilhada’, que pode ou não ter efeito. Estas cartas são a segunda metade da essência do jogo (tanto que o subtítulo de Dead of Winter é ‘Um jogo de Encruzilhadas’) e é através dos efeitos destas que o rumo do jogo pode mudar, com decisões que podem afectar toda a colónia, causando fricção entre jogadores, afectando directamente personagens, etc. Estas cartas fazem a diferença entre um jogo correr bem ou virar para o torto.

 

Dead of Winter é um jogo bastante sólido e interessante. Todas as suas componentes trabalham bem para providenciar uma excelente experiência de estratégia cooperativa e levam-nos a planear estratégias secundárias para conseguirmos atingir o nosso objectivo secreto. As mecânicas existentes entre jogadores, bem como os eventos que podem acontecer com as cartas de encruzilhada, dão um espírito de ‘cooperamos mas até um dado ponto’, algo bastante presente em cenários de zombies (como por exemplo, a série The Walking Dead), conseguindo assim manter-se fiel ao género em que se apoia.

 

Número de jogadores: 2 a 5

Número ideal de jogadores: 4

Duração de uma partida: 45 a 210 minutos

Complexidade: Separadamente as regras de Dead of Winter são fáceis de compreender. Contudo existem tantas regras que novos jogadores podem facilmente esquecer-se de algumas. Pode dizer-se que o jogo tem uma complexidade moderada.

Replayability: Dead of Winter deve ser jogado várias vezes, embora não muitas seguidas (cada partida pode demorar mais de 2 ou 3 horas). As experiências vão ser sempre diferentes, principalmente se usarem ‘regras da casa’ onde cada jogador não pode voltar a escolher como personagens iniciais e objectivo principal as escolhidas no jogo anterior.

Avaliação pessoal: 8/10