Com o relativo sucesso de The Incredible Adventures of Van Helsing, a Neocore Games (os estúdio que nos trouxe esse jogo) decidiu também investir numa das boas adições que esse jogo tinha: os mini-mapas de tower-defense. E com isso nasceu Deathtrap, um jogo de tower-defense em tudo semelhante a outros mas com uma diferença significativa pois foi combinado com elementos de RPG de acção.

Em Deathtrap o jogador tem de construir torres, ao longo de vários caminhos disponíveis, para que estas usem os seus ataques contra as hordas invasoras que tentam chegar ao fim desses caminhos. Para tal fim, ganham-se recursos durante cada mapa para construir torres e fazer o upgrade delas durante o mapa, bem como recursos para obter upgrades mais gerais e únicos fora do mapa. Para dar gosto em repetir mapas, cada mapa tem muitos modos diferentes de jogo, com inimigos mais fortes, em maior número ou simplesmente desafios a ver quanto tempo se aguenta. Esta é, claro está, a essência dos tower-defense games.

Mas em Deathtrap o jogador também controla um herói sendo este fulcral para o sucesso de cada missão. Este herói ganha experiência, à medida que os níveis são completados e os inimigos destruídos, e quando essa experiência é suficiente o herói sobe de nível permitindo-nos então subir os atributos e as habilidades dele para melhor combater em missões futuras. Para torna-lo ainda mais num herói de RPG de acção, vai-se ganhando equipamento para esse herói e também dinheiro com o qual se pode comprar mais equipamento.

Deathtrap usa então componentes de RPG de acção iguais aos de The Incredible Adventures of Van Helsing (embora com classes de herói diferentes). Este tower-defense decorre no mesmo universo, dentro daquilo que chamam de Ink (“Tinta”), a matéria prima que criou o mundo (ver o review de The Incredible Adventures of Van Helsing). Visto ser do mesmo mundo, também o ambiente é o mesmo, o de “frankenstein encontra-se com steampunk que se encontram com magia”, e os gráficos são os mesmos fornecendo um 3D com vista isométrica fixa mas bastante apelativo e fácil de lidar.

Armadilhas de Deathtrap em acção

Sendo um jogo de tower-defense, não há muito mais que se possa dizer sobre ele excepto que é um dos melhores jogos deste género já lançados. Esta avaliação deve-se não apenas ao ambiente “steampunk-frakensteniano carregado de magia”, que é acompanhado de uma banda sonora excelente e que encaixa no jogo, mas também à mistura de tower-defense com RPG de acção. Muitos outros tower-defense limitam-se à construção de torres, ou quando se introduzem heróis estes servem apenas para dar uma ajudinha e não possuem equipamento ou grandes níveis e habilidades. De facto, o herói desses jogos, como Kingdom Rush (um dos tower-defenses mais famosos), está muitas vezes fora do controlo do jogador.

Em Deathtrap, o jogador tem controlo absoluto sobre o herói, o que ele usa e de que habilidades dispõe. E este controlo, bem como esta selecção de habilidades, é essêncial para conseguir vencer as missões. Se não há boa sinergia destas habilidades com as torres que se constroiem, o jogo torna-se incrivelmente difícil de vencer. As torres não são suficientes, pura e simplesmente isso, é essêncial jogar com o nosso herói para as ajudar. E isto faz do jogo único, torna-o desafiante e interessante já que cada mapa e cada modo vai requerer tácticas diferentes para ser concluído. E mesmo quando parece que temos uma boa táctica já delineada, o jogo está feito para ser desafiante, com invasões de inimigos capazes de ultrapassar até mesmo as melhores estratégias.

Para tower-defense, Deathtrap é daqueles jogos que merece ser considerado como um dos melhores. Cai no erro de não ter um factor aleatório para que os jogadores tenham vontade de o jogar novamente quando tiverem concluído uma vez todos os mapas em todos os modos principais (mas até agora nenhum tower-defense consegue ir contra este problema), mas o jogo é longo e desafiante o suficiente para requerer dezenas de horas de jogo. E quando estiverem fartos dos mesmos mapas, há sempre a possibilidade de descarregar mapas criados por fãs e membros da comunidade, ou a possibilidade de fazerem o vosso próprio mapa. E se isso não for suficiente, podem sempre juntar-se num jogo multiplayer.

As opções são muitas e para quem gosta deste género de jogos, Deathtrap é sem dúvida um jogo a adquirir.

REVIEW GERAL
Avaliação Pessoal
8
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Engenheiro de profissão e gamer por gosto, João Paulo adora boardgames, RPGs de mesa e computador, RTS e shooters e olha para jogos para uma excelente forma de arte, transmitir emoções e contar histórias fenomenais.