Eclipse

Uma das maiores discussões que existem na comunidade dos jogos de tabuleiro é “Qual é melhor? Eurogames ou American Trash?”

Ao longo dos anos assisti a esta discussão incontáveis vezes e vi ainda mais jogos a tentar destruir as barreiras que cada um destes géneros criou, mas finalmente foi-me apresentado o jogo que responde a esta pergunta, e a resposta é simplesmente “Sim”.

Eclipse começa como um Eurogame, com cada jogador a tentar aperfeiçoar o seu próprio motor de jogos e maximizar o uso e obtenção de recursos. Mas à medida que o jogo avança esses recursos vão sendo usados para criar unidades ou melhorá-las, e no final cada jogador usa as unidades que conseguiu criar para combater com os outros jogador pelo domínio de pontos chave no tabuleiro, como um American Trash puro.

 

O que é Eclipse?

Eclipse é um épico espacial, em que cada jogador controlar uma raça com as suas próprias forças e fraquezas. Cada jogador começa no seu próprio planeta natal e a medida que cada jogador vai explorando o espaço a sua volta o universo começa a ganhar forma, com novos planetas para serem conquistados ou desafios para serem superados. Os jogadores começam equidistantes uns dos outros e o melhor planeta em termos de recursos é o centro do universo. Quando mais longe do centro piores ficam as secções do universo, podendo não ter nada de todo até apenas somente naves hostis.

 

Recursos

Como qualquer bom eurogame, existem vários recursos que os jogadores têm de gerir  de modo a maximizar o seu turno. Estes recursos podem ser gastos para ter mais acções durante o turno do jogador, obter tecnologia (quer para o império em si, melhorando o motor de jogo que permite obter mais recursos ou para ser usada nas diversas naves que podem ser construídas ao longo do jogo) ou para construir unidades.

Cada planeta que o jogador descobrir e conquistar vão dar um destes tipo de recursos, o que recompensa jogadores capazes de adaptar a sua estratégia aos planetas que for encontrando.

 

Old Ones

Quando um jogador se lança na exploração espacial pode encontrar coisas além de planeta para serem populados.

Tal como em todos os grandes épicos espaciais existe uma raça antiga incrivelmente avançada que razões misteriosas partiu, deixando apenas ruínas para trás e em alguns casos, naves. São estas naves que os jogadores podem encontrar e combater se assim o entenderem. Estes combates podem ser incrivelmente complicados, especialmente nas primeira fazes do jogo, mas as recompensas podem ser incríveis. Ao ganhar um combate contra uma destas naves, o jogador tem a possibilidade de obter uma peça de tecnologia que não é acessível de nenhuma outra maneira. Estas tecnologias anciãs podem transformar a mais inofensiva das naves numa máquina de destruição, ou em algo capaz de absorver enormes quantidades de dano dando uma vantagem enorme ao jogador que a conseguir para as fases finais do jogo.

O planeta central também é protegido por uma destas naves, mas muito maior. Apesar das recompensas de ter o planeta central serem incrivelmente aliciantes, o combate contra a nave é incrivelmente complicado, sendo quase impossível na primeira metade do jogo. Infelizmente, assim que um jogador destruir a nave e colonizar o planeta central este fica aberto para qualquer outro jogador tentar roubar

 

Batalhas espaciais.

A medida que o jogo avança para o seu final a armada de cada jogador vai tender a crescer tanto em número como em qualidade individual de cada nave. Cada jogador vai ter acesso a tipos diferentes de tecnologia durante o jogo e a quantidades diferentes de recursos, que definem o tipo e quantidade que cada um pode criar a cada determinado momento. Dependendo das tecnologia associadas a cada tipo de nave dois jogadores podem acabar com unidades incrivelmente diferentes apesar de terem a mesma base.

 

Conclusões

Começando pelas coisas boas, a combinação de gestão de recursos e manutenção de um conjunto de unidades faz-me lembrar em muitas coisas a saga Heroes of Might and Magic. As mecânicas do jogo garantem que não existe uma estratégia vencedora, pois os recursos e tecnologias disponíveis a cada jogador são diferentes em todos os jogos obrigando a adaptação em vez de pura optimização.

No entanto existem vários aspectos que me impedem de dizer que este jogo é realmente bom, apesar de ter o potencial para o ser. O facto do universo ser aleatório pode levar a situações de jogo em que um jogador começa encurralado entre espaços sem nada, planetas demasiado fracos ou várias naves dos anciões enquanto outros jogadores podem ter acesso a planetas muito melhores logo no início do jogo o que os vai permitir evoluir muito mais depressa. Depois disso as recompensas por combater as naves anciãs também é aleatória podendo variar entre alguns recursos a tecnologia muito melhor do que os jogadores normalmente teriam acesso. O facto de as recompensas terem uma janela tão grande de qualidade faz com que dois jogadores que dedicaram os mesmo recursos para o mesmo objectivo possam ser recompensados de maneira completamente diferente, deixando um deles numa posição muito melhor.

 

Como nota final, não posso deixar de aconselhar o jogo nem que seja uma vez. É divertido o suficiente para justificar as 3-4 horas que demora e todos os jogadores estão sempre a fazer alguma coisa, garantindo que não existem tempos mortos e que ninguém fica demasiado aborrecido.

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