FrostPunk

Num mundo onde a revolução steampunk varreu o mundo, com autómatos e outras maravilhosas máquinas a correrem a carvão, o inferno seria mesmo se o mundo congelasse. Pois é isso mesmo que acontece em Frospunk: as temperaturas baixaram e congelaram oceanos, ventos ciclónicos passaram a varrer a terra, e o planeta tornou-se numa grande bola de gelo. Numa derradeira tentativa de garantir a sobrevivência da espécie, o Império Britânico criou enormes geradores no árctico, onde abunda carvão, dentro de crateras protegidas dos ventos, e enviou expedições de refugiados das grandes cidades para esses locais, guiados por gigantescos couraçados terrestres capazes de atravessar os oceanos (agora congelados). Os outros países seguiram o exemplo. Nascem assim as novas cidades, aquecidas pelos geradores. Ou assim se espera.

Frostpunk é um simulador de construção e gestão de sociedades ao mesmo tempo que se enfrenta um ambiente infernal que não perdoa. Temperaturas constantemente negativas vão assolar a população, causando queimaduras de frio, possíveis amputações, morte, fome, fazendo com que edifícios não funcionem, etc. A solução será queimar carvão para manter o gerador ligado, pois será esse que irá fornecer temperatura para manter a cidade quente e minimamente saudável. Como tal, toda a construção será feita em redor deste.

A temperatura que o gerador fornece começa por ser pequena, ao início, e de pouco alcance. Para estender o alcance pode-se construir ‘steam hubs’ para criar novos focos de calor, consumindo contudo mais carvão. Pode-se também pesquisar ‘aquecedores’ para os edifícios onde a população trabalha, para aumentar a temperatura nesses locais. E tudo isto poderá ser monotorizado através da ‘vista de temperatura’ que mostra um gráfico térmico sobre a cidade. Quanto mais azul, mais frio e maior a probabilidade de problemas de saúde.

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Mas construção, temperatura e recursos não são as únicas coisas com que temos de nos preocupar em Frostpunk. É necessário lidar com os problemas que surgem e criar leis que regem a nova e simplista sociedade. Começa-se com uma árvore de leis relativamente à adaptação da sociedade à nova realidade. Desde decidir coisas como ‘o que acontece aos corpos dos mortos?’ e ‘devem as crianças trabalhar para responder à falta de mão de obra?’.

Ao longo do cenário também ocorrem eventos em que temos de tomar decisões. E não devem ser decisões precipitadas, para responder às necessidades do momento. A maioria dos eventos são exigências da população, como abrigos para não dormirem ao frio. As decisões que se tomam, bem como as leis escolhidas, têm forte impacto no ‘descontentamento’ e na ‘esperança’ da população. Se o primeiro subir demasiado ou o segundo descer demasiado, as pessoas podem-se revoltar. E ignorar exigências pode ser uma boa maneira para lidar com o problema no momento mas dias depois esta volta a aparecer e será uma exigência maior.

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Mas apesar das dificuldades, não estamos sozinhos! Cada cenário decorre ao longo de um pequeno período de tempo, com o primeiro a demorar mais tempo que os outros (perto de 50 dias). Isso significa que não haverá tempo para ver as crianças tornarem-se adultos e passarem a ajudar (caso se escolha que elas não vão trabalhar). Mais ajuda e recursos podem ser encontrados ao longo de uma vasta área perto da nossa cidade. Equipas perdidas, mais refugiados, etc. Cabe a nós criar equipas para explorar a vastidão branca à procura de coisas úteis, embora por vezes seja arriscado. Ou criar ‘postos distantes’ que enviam regularmente recursos para a nossa cidade.

 

Em conjunto, Frostpunk é um excelente jogo cujos detalhes e opções funcionam muito bem num todo. Todo o ambiente de desolação e desespero é bem visível no jogo mas a ele junta-se o de esperança e de ser possível sobreviver contra todas as probabilidades. A originalidade do tema também é indiscutível.

De momento, Frostpunk só tem 3 cenários, cada um com objectivos, condicionantes e eventos diferentes. Não tem nenhum modo ‘sandbox’ nem multiplayer. E este é sem dúvida o grande defeito do jogo. É preciso esperar mais uns tempos por mais cenários, o que em principio deve acontecer já que Frostpunk foi muito bem recebido.

Podia ser melhor? Claro, tem espaço para crescer muito. Mais edifícios, novos eventos, locais para exploração, etc. Mas de momento, o jogo está espectacular e merece ser jogado.

REVIEW GERAL
Avaliação Pessoal
8,5
Engenheiro de profissão e gamer por gosto, João Paulo adora boardgames, RPGs de mesa e computador, RTS e shooters e olha para jogos para uma excelente forma de arte, transmitir emoções e contar histórias fenomenais.

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