Desenvolvido pela Stardock, Galactic Civilizations 3 é o mais recente jogo desta saga de jogos 4x espacial (eXplore, eXpand, eXploit, e eXterminate). Continuando onde o anterior terminou, em Galactic Civilizations 3 o planeta Terra está sitiado por uma forte armada Drengin, uma raça muito agressiva e que conquista outras raças para as usar como escravos e comida. A única coisa que protege a humanidade é um poderoso escudo planetário, deixado pelas antigas raças chamadas apenas de Precursors, mas nem mesmo esse durará para sempre. A última esperança reside nas mãos da Primeira Armada da Aliança Terrestre que regressa do universo paralelo munida de tecnologia bastante avançada e inigualável, na esperança de isso ser o suficiente para dar uma hipótese à pequena armada de apanhar os Drengin desprevenidos e conseguir abrir caminho para a Terra.

Este jogo leva-nos então à imensidão do espaço, onde teremos de controlar, durante 3 longas e distintas missões, a raça humana na sua tentativa de salvar o planeta Terra de um fim cruel. Equipado com uma nave superior a qualquer outra existente em termos de poder de fogo, o jogador terá de conquistar planetas, estabelecer colónias, criar bases espaciais, rotas de comércio e construir armadas bastante fortes para combater qualquer um que impeça de chegar lá.

Screenshot de Galactic Civilizations 3

Sendo um jogo 4x, Galactic Civilizations 3 requer uma enorme estratégia em quase todos os campos: diplomacia, economia, expansão, exploração e construção de naves. Começando com pouco, apenas um ou 2 planetas, cabe ao jogador decidir todos os passos a tomar e a estratégia a adoptar. Expandir rapidamente poderá destruir a economia. Mas focar-se só em economia tornará o jogador num alvo apetitoso para quem possua uma frota superior e mais poderosa.

 

O mapa de jogo

Em termos de exploração, o jogo fornece-nos em cada missão um mapa hexagonal, dividido em hexágonos, carregado de planetas (a grande maioria planetas mortos e sem interesse), asteróides, nuvens de gás, estrelas, buracos negros e muitos recursos como anti-matéria. Vários artefactos deixados pelos Precursors também podem ser estudados para dar bónus à civilização, desde que existam bases espaciais perto deles capazes de estudar esses artefactos, e pode-se ainda adquirir dinheiro, naves e benefícios à pesquisa de tecnologias explorando destroços que se encontram espalhados pelo mapa fora.
Infelizmente o jogo falha um bocado no que toca ao mapa explorável. Este nunca é nada de especial ou verdadeiramente único. Buracos negros limitam a área de jogo mas são na sua essência a única coisa que o faz. É possível naves atravessarem campos de asteróides ou nuvens de gás sem dificuldade, pelo que elas acabam por ser apenas um “pequeno adereço do mapa”.

A escala do mapa está também completamente desproporcional. É certo que é impossível fazer um mapa verdadeiramente à escala para este tipo de jogos mas outros jogos 4x espaciais conseguiram fazer os seus mapas mais credíveis ao dividi-los por sistemas espaciais, em vez de tentar ter um mapa com alguma dezena de planetas, e estrelas absurdamente próximos e sem qualquer escala plausível.

 

Construção e expansão

Em termos de construção, cada planeta pode ser desenvolvido com vários edifícios que lhe podem dar benefícios específicos (como melhorar as frotas construídas por aquele planeta), dar defesas para tornar o planeta mais difícil de conquistar, ou simplesmente melhorar coisas básicas como a produtividade, rendimento económico e avanço cientifico do planeta. Isto sem nunca esquecer a necessidade de aumentar a sua população e mantê-la contente.
Fora de planetas, o jogador deverá construir estaleiros para a construção de naves e bases espaciais. Estas últimas têm a possibilidade de serem melhoradas para fornecerem grandes benefícios. É através delas que o jogador consegue ter acesso a recursos especiais (usados em naves protótipos e em excelentes edifícios para planetas), que consegue montar pontos estratégicos de defesa e controlo de área ou através delas que o jogador realmente desenvolve ainda mais os planetas abrangidos por elas. De facto, sem elas é muito difícil conseguir uma economia estável e crescente.  As bases espaciais também são muito importantes por aumentarem o alcance das naves no mapa e expandirem a área de controlo da raça. Mas é preciso cautela em estratégias que apostem fortemente nas bases porque estas só podem ser construídas e melhoradas através de naves específicas (Constructors) que demoram a ser construídas.

O sistema de diplomacia entre raças usado neste jogo é básico, mas sólido, em tudo semelhante ao encontrado na saga Civilization. Podem-se trocar tecnologias, dinheiro, planetas, naves, bases e assinar tratados. Infelizmente também sofre da falha já existente nessa saga onde se pede uma tecnologia e a AI exige 3 ou 4. Ou, se formos muito poderosos, a AI está mais que disposta a trocar uma tecnologia por um mísero tratado de exploração mesmo quando todo o mapa já foi explorado. Embora não seja mau, também não é bom nem único.

Infelizmente o jogo falha nesta parte da expansão. A maioria dos recursos são praticamente inúteis a não ser para trocas com a AI (que não é grande coisa). E o jogo está carregado de planetas mortos que nunca podem ser colonizados, nem para algo tão simples como construir minas para extrair minério, nem podem ser sequer terra-formados.

 

Tecnologias até perder de vista

Felizmente o jogo apresenta uma enorme árvore de tecnologias disponíveis, cada uma capaz de melhorar bastante o império que se está a criar. O impacto destas tecnologias é visível em todo o jogo e é graças a elas que se consegue acesso a poderosas naves e armas. A sua enorme variedade também força à escolha de uma estratégia sólida e cuidada, tentar ter todas as tecnologias poderá fazer com que se fique muito atrás em todos os campos. Em vez disso, deve-se escolher cuidadosamente o que se necessita pesquisar. Queremos uma frota mais poderosa? Então talvez pesquisar algo que torne as armas menos pesadas para as naves, ou simplesmente mais poderosas. Ou preferem antes ter uma frota com ainda mais naves? Se sim, então pesquisar a tecnologia que aumenta a capacidade logística das frotas é essencial. Contudo não nos devemos esquecer que tecnologias diplomáticas ajudam a reduzir as penalidades associadas às trocas (onde a AI pede muito mais do que oferece) e as tecnologias de influência e comércio podem trazer benefícios para o equilíbrio frágil da economia. Afinal de contas, ter naves e bases e colónias implica custos.

Exemplo de Tech Tree

Micro-gestão, muita micro-gestão

O jogo também possui um bom sistema que permite gerir os gastos do império, se queremos apostar mais na produção, mais no comércio, na investigação cientifica e se a produção vai dirigida mais para as construções militares ou para o desenvolvimento dos planetas. De facto, este bom sistema é também o mais usado. Durante grande parte das missões vamos ver o rendimento do império em negativo, fazendo-nos perder dinheiro todos os turnos. Se o saldo chegar a negativo, é bastante provável que todo o império pare de funcionar e o foco de todo o governo e produção seja forçado a ir para o comércio. Esta gestão permite também escolher quando se está disposto a sacrificar alguns progressos para conseguir outros muito mais rapidamente, principalmente se temos de construir uma frota num instante.

O jogo não é adequado para quem não gosta de micro-gestão constante, onde por vezes se tem de desfazer o que foi feito no turno anterior, mas quem gosta encontra em Galactic Civilizations 3 um excelente jogo.

 

Constrói a tua própria armada

O que o jogo tem de único e excelente é a possibilidade de construir as várias naves à nossa medida. Desde a aparência estética da nave aos seus componentes, quem tiver paciência consegue criar excelentes naves que depois poderá usar no jogo. Este sistema de construção é perfeito para modders, existindo já milhares de naves criadas pelos fãs (muitas a imitar naves mais populares como a USS Enterprise 1701 de Star Trek), e para qualquer jogador que queira melhorar a sua armada. Claro que cada classe de naves tem uma capacidade limite para o que pode levar mas dentro desta capacidade é possível criar naves que podem ser muito poderosas mas lentas, ou naves de patrulha capazes de vigiar a área controlada e fugir de inimigos graças à sua grande velocidade. Esta ferramenta é também essencial porque as naves que o jogo tem por default são bastante desequilibradas, ocorrendo muitas vezes situações onde as naves maiores e supostamente mais poderosas não compensam em termos de poder de fogo, simplesmente por causa dos ‘módulos’ que lhes são adicionados por default.

Cada jogador pode desenhar as suas próprias naves

eXterminação… com falhas

Como seria de esperar, claro, combate também é bastante importante. Sem este é impossível ‘roubar’ planetas ao adversário, é impossível impedir o adversário de se expandir mais ou simplesmente de aniquilar o império. Mas aqui Galactic Civilizations 3 sofre bastante. Embora existam 3 tipos de ataque (long alcance, médio e curto) e as respectivas protecções contra estes ataques, e embora cada nave tenha a sua utilidade e papel, e ainda existam parâmetros como ‘eficiência de armas’, o combate acaba sempre por ir dar a: vence quem tiver a mais frotas para atirar contra o inimigo.O jogo até conta com uma elevada micro-gestão, usando uma grande variedade de naves com papeis diferentes, ataques e defesas diferentes, a necessidade de tecnologias que melhorem a eficiência das armas, etc, mas o resultado final acaba por ser um combate secante por não ter a possibilidade de usar qualquer estratégia (nem sequer bater em retirada). E naves que vençam combates não ganham experiência e demoram eternidades a recuperarem do dano que levam.

Efectivamente, o sistema de combate de Galactic Civilizations 3 é fraco, simplesmente por não puder dar ordens durante o combate que alterariam o seu resultado, nem de ter naves com habilidades especiais que pudessem ser usadas. E acima de tudo, perde-se muito do interesse em ter frotas ‘vivas’ durante muito tempo porque não se ganha grande coisa com isso. Até mesmo o jogo Endless Space, que é 3 anos mais velho que Galactic Civilizations 3, incluiu tudo isto.

 

Veredicto Final

Inovação: 6,5 em 10. Galactic Civilizations 3 não traz grandes inovações ao género 4x espacial. De facto, por nem utilizar elementos essenciais para o sistema de combate que já estão presentes noutros títulos do mesmo género, o jogo falha em manter-se a par dos tempos. Ainda assim, o sistema de micro-gestão do governo bem como a possibilidade de construir as nossas próprias naves até a nível estético permitem-lhe ter alguns trunfos no que toca à inovação.

Gráficos: 7,5 em 10. Galactic Civilizations 3 possui gráficos de boa qualidade e uma artwork espectacular.

Mecânica: 7 em 10. As mecânicas de Galactic Civilizations 3 não são inovadoras e possuem falhas mas a da micro-gestão está bastante boa.

Conteúdo: 7 em 10. Este jogo é um puro 4x, com quase tudo o que se espera do género. Não introduz muito de novo mas mantém-se bastante fiel ao estilo. Embora possua poucas missões, de largas horas cada uma delas, possui também outros modos de jogo que permitem jogar como outras raças.

Execução: 6,5 em 10. No geral, Galactic Civilizations 3 dá a sensação de não ter sido bem executado. O que tem em falta e em falha, bem como termos um mapa enorme mas desprovido de interesse ou pontos notórios, e ainda a fraca necessidade dos recursos que se podem explorar no jogo dão a sensação que ficou sempre algo mais por adicionar à versão final.