Magic the GatheringExperiência e Instinto vs Sorte

Mesmo que durante um jogo tenhamos acesso a todas as cartas que colocamos no nossos baralho, não vamos ter acesso a todas no mesmo instante. A cada momento os recursos que nos estão disponíveis vão variando e o estado do partida vai alterando a medida que cada jogador vai fazendo acções. É verdade que comprar a carta perfeita numa certa circunstância pode ser atribuído a sorte (com um grande ênfase no “pode” ), mas essa sorte só vai afectar o jogo em que acontecer. Há jogos em que vamos comprar a carta certa no momento certo, outros não, e o mesmo é verdade para os nossos oponentes. Temos uma maior tendência a lembrar-nos das coisas más, por isso o jogo em que o nosso oponente comprou a resposta certa um turno antes de morrer vai ficar na nossa memoria mais tempo do que o jogos em que fomos nós a comprar essa mesma resposta. A variância da sorte acaba por se anular a ela própria se fizermos jogos suficientes.

Uma verdade inegável transversal a todos os TCG é que as vezes vamos comprar a carta certa, outras não. E alguns desses jogos vão entrar nos 30% que não podemos ganhar ou não podemos perder. A questão é, o que fazer com a carta incorrecta num momento em que outra carta teria sido perfeita?

Usar a carta perfeita é fácil, o grande desafio é usar outras no seu lugar. Dependendo do vosso deck e do que estiver a acontecer na mesa do jogo, o potencial de uma carta pode variar atrozmente.

Um jogo de Informação Imperfeita

Imaginem, independentemente do jogo (desde que seja um TCG que use criaturas) que existem os seguintes 3 cenários :

  • Cenário A : O Oponente tem 3 criaturas, uma 1/1, e duas 2/1
  • Cenário B:  O Oponente tem 2 criaturas, uma 1/1, e outra 4/4
  • Cenário C : O Oponente tem 2 criaturas, duas  4/4

Vocês não têm cartas na mão e a carta que compram é uma carta que dá 1 de dano a todos os bichos. O que fazem?

No cenário A é possível que tenham comprado a carta certa, capaz de destruir todas as criaturas do vosso oponente. No cenário C compraram a carta errada, um feitiço que não interage nada bem com a mesa do vosso oponente. E no Cenário B?

É neste cenário que entram os 40% que enquanto jogadores temos de ganhar. Neste momento têm de parar, respirar fundo e perguntar a vocês próprios algumas perguntas

“Quantas cartas tenho que podem dar 3 de dano?” “Quantos turnos tenho de vida se deixar os 2 bichos vivos ou se matar já o pequeno?” “Qual é a probabilidade de comprar uma carta que resolva um 4/4 vs uma carta que resolva uma 4/4 com 1 de dano em cima ?” “É possível que o vosso oponente vá baixar mais bichos com 1 de resistência nos próximos turnos?”

Conclusão

Estas são só algumas das perguntas que vos deveriam passar pela cabeça, mas as vezes isso não acontece e devia.

No entanto não é fácil responder a essa perguntas. É preciso que saibam com que cartas estão a jogar, é preciso que saibam as cartas que já foram jogadas e quanto tempo acham que vão ter para fazer essas possíveis jogadas.

Entrarei em detalhe em cenários como este em próximos artigos, mas por agora a mensagem que quero deixar é que é preciso conhecer as nossas cartas, saber o que o nosso deck é capaz de fazer e ter sempre em mente como é que tencionamos ganhar o jogo.

Olhar para um conjunto de cartas, ou até ver outras pessoas a jogar com essa mesma lista não vos vai dar o instinto  e agilidade necessários para pilotar o deck. Alguns decks podem ser mais fáceis que outros a serem jogados mas todos necessitam de experiência e treino para serem jogados perfeitamente ou quasi-perfeitamente. Joguem contra outras pessoas a usar outros decks e a cada jogo vão ver novos cenários de jogos e descobrir como uma sequência de cartas pode ser equiparada a outras sequenciais de cartas de outros decks. Toda a vez que percam um jogo em vez de culpar sorte tentem olhar para trás e tentar ver onde podiam ter feito algo de diferente e se possível discutam jogadas com outras pessoas.

Por agora é tudo. Há algum tema que gostassem de ver discutidos neste artigos ?

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