Criado pelo grupo Dontnod Entertainment, que já tinham atingido algum sucesso com o jogo Remember Me, Life is Strange é um point and click que baseia o seu estilo de jogo no efeito borboleta de cada decisão do jogador e não em enigmas e colheita de itens como é normal no género.

O jogo segue a história de Maxine Caulfield, uma estudante de fotografia que descobre que no inicio do jogo descobre que é capaz de recuar no tempo para poder alterar qualquer decisão feita no passado recente. Ao mesmo tempo ela tem uma visão onde vê um furacão a destruir a cidade de Arcadia Bay, o local onde se passa a narrativa da história. Originalmente o objectivo de Life is Strange é tentar descobrir como salvar a cidade, mas rapidamente esse tema passa para segundo plano quando a protagonista é arrastada para um mundo de drogas, dinheiro e poder, sendo obrigada a tomar um papel de heroína por circunstância, tentando derrubar um poder corrupto que controla a cidade impunemente.

No entanto o jogo nunca se esquece que é, na sua essência, um point and click, dando-nos cenários enormes altamente interactivos, a possibilidade de navegar entre varias áreas do jogo a nosso belo prazer, passando pelos dormitórios da escola e salas de aulas até restaurantes na parte baixa da cidade e zonas a beira mar, todas cheias de personagens que partilham um pouco da sua história e ainda que irrelevantes para a narrativa principal fazem um óptimo papel a criar um clima imersivo e fazer o jogador preocupar-se com o terrível destino que a personagem principal previu para a cidade.

Tornado ameaça destruir cidade em Life is Strange

A mecânica de recuo no tempo que o jogo nos oferece permite ver as consequências imediatas das decisões que o jogador toma, mas não as decisões a longo prazo, e coloca-nos varias vezes decisões morais que vão afectar grandemente o final da narrativa, nem que seja para uma personagem me particular e dá também uma sensação de invulnerabilidade que esperamos de um jogo em que a personagem principal é uma “super-heroina”, sem nunca nos dar a sensação que ela está fora de perigo. É um equilíbrio difícil que foi incrivelmente criado neste jogo.

Todas as personagens relevantes para a narrativa são incrivelmente bem caracterizadas e ao longo do jogo vamos descobrindo cada vez mais sobre cada uma delas, como cada decisão as afecta e como elas reagem a personagem principal e dependendo das decisões que tomamos muitas delas vão evoluir e crescer juntamente com a Max.

No entanto o jogo não está livre de defeitos, existem imensas cenas em que a sincronização entre som e imagem está incorrecta e as vezes o desfasamento é tão acentuado que distraem o jogador do que de facto está a acontecer.

Outro problema é o dialogo. Embora este melhore à medida que o jogo avança, há muitas partes em que este é demasiado forçado, tentando ser jovem e irreverente, mas acabando por usar termos e frases que ninguém diria naturalmente. Apesar da mensagem chegar ao jogador, isto torna algumas cenas constrangedoras uma vez que as palavras escolhidas soam estranhas e até erradas quando ditas por adolescentes.

No entanto estas falhas são quase irrelevantes quando compradas a qualidade geral de Life is Strange. Um título obrigatório para todos os amantes do género dos point and clicks ou mesmo para jogadores que apreciem uma boa história acima de mecânicas.