Em Narcosis estamos dentro de um fato de mergulho sofisticado. O consumo de oxigénio é lento, a bateria do fato de longa duração, e existe alguma iluminação da lanterna. O que pode correr mal? Em primeiro, o movimento é lento mesmo com os propulsores. Depois é preciso ter em atenção que a personagem é um cientista que embora faça o melhor que consegue para não entrar em pânico, tal não é possível quando encontra perigos ou simplesmente outros amigos seus mortos. E há tantos desses como de perigo.

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Cada vez que um perigo aparece, ou cada vez que encontramos um morto, a nossa personagem começa a entrar em pânico e a consumir mais oxigénio. Se não temos cuidado, sufocamos. E na maioria dos casos, não é possível evitar estes confrontos, apenas despacha-los. Mas dada a lentidão dos movimentos e a claustrofobia do fato e da estação, acabamos por sentir que estamos verdadeiramente dentro de um ‘caixão ambulante’, agarrados a uma réstia de esperança que pode bem ser falsa.

Em Narcosis também temos uma componente sobrenatural. Na grande maioria, são eventos que nos dificultam a movimentação dentro de salas mas de vez em quando aparece uma entidade que nos vai dando algumas indicações. Contudo rapidamente ficamos com a sensação que este elemento sobrenatural não existe, na verdade. Que são antes meras alucinações, produtos da mente da nossa personagem causadas por causa de toda a situação. O quer que sejam, ajuda a manter o ambiente de terror do jogo.

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Narcosis consegue um excelente ambiente de terror graças a todos os seus elementos, e a mais alguns ainda não descritos aqui, como um narrador. E o final tem um twist espectacular que nos deixa de boca aberta. Só peca por ser pequeno e por ter imensos objectos pequenos e ‘tags’ que pudemos apanhar. Estes servem para obter mais informação sobre toda a equipa da Oceanova bem como ver os pensamentos da nossa personagem quanto às mortes dos seus colegas e amigos. Contudo, a maioria é muito difícil de encontrar.

 

Narcosis foi também feito a pensar no modo VR. No mundo dos jogos virados para a realidade virtual, a maioria acaba por ser coisas pequenas feitas quase para terem o tamanho de demos, o que rapidamente lhes tira a piada. Narcosis, contudo, foi feito e pensado principalmente para VR mas optou por ser um jogo com duração decente. E podem ter a certeza, se usarem este sistema para experimentar o jogo, então a sensação de claustrofobia e o terror que todo este transmite será imensamente maior. Estarão, sem dúvida, num ‘caixão ambulante’.

1
2
REVIEW GERAL
Avaliação Pessoal
8
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Engenheiro de profissão e gamer por gosto, João Paulo adora boardgames, RPGs de mesa e computador, RTS e shooters e olha para jogos para uma excelente forma de arte, transmitir emoções e contar histórias fenomenais.

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