Gen Con 2017

A Gen Con 2017 celebrou este ano o seu 50º aniversário de existência desta convenção, batendo recordes de visitantes (com mais de 209 mil) e apresentando imensas novidades interessantes. Como é de calcular, não pudemos apresentar todos portanto ficam os que mais se destacaram.

 

Rising Sun

Se Blood Rage e Diplomacy são jogos que gostam, então vão provavelmente gostar de Rising Sun, um jogo do mesmo criador, artista e até companhia. Carregado de acção e mecânicas para controlo de área, este jogo assimétrico possui um detalhe enorme nas suas ilustrações, tabuleiro e miniaturas que vai para lá do fenomenal (como podem ver na imagem).

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Neste jogo, vários clãs lutam pelo domínio das terras do Japão feudal mas ao contrário de Blood Rage que usa mecânicas de compra de cartas, este foca-se em acções secretas e negociações entre jogadores, com alianças a serem feitas e prontamente quebradas na altura ideal, reféns a serem capturados e até mesmo a possibilidade de cometer ‘seppuku’ (ritual de suicídio), tudo tendo em conta o ‘marcador de honra’ que varia com as nossas acções e ditará o futuro do nosso clã. Definitivamente um jogo a não perder.

 

Ex Libris

Em cada convenção há sempre um jogo que não é criado ou distribuído por grandes companhias de renome, ou cujo criador mal é conhecido, mas o qual anda sempre pela boca das pessoas. Na Gen Con 2017 esse jogo foi Ex Libris.

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Neste jogo rápido, de aproximadamente 45 minutos, os jogadores são coleccionadores de livros numa vila de gnomos, que competem para adquirir a mais impressionante biblioteca para conseguirem a posição de ‘Grande Bibliotecário”. Para tal, os jogadores enviam os seus assistentes a várias localizações únicas para adquirirem cartas com vários livros, e depois têm de garantir que a sua biblioteca está ordenada por ordem alfabética (parece fácil, não é de todo).

Para a pontuação final temos de ter em conta coisas como variedade de livros, foco em vários temas literários e até mesmo evitar ‘livros banidos’. O jogo consegue assim ser interessante e divertido, levando-nos a ter de pensar um pouco de forma estratégica.

 

Unearth

Outro jogo rápido onde os jogadores fazem escavações nas ruínas de uma civilização antiga. É um jogo onde usamos dados como acções, rolando um dado de 4 lados (d4), um de 8 (d8) e 3 dados de 6 lados (3d6) e dependendo dos resultados pudemos coloca-los em diferentes cartas para as adquirir e assim ganhar pontos. Quando a soma de todos os dados numa carta exceder o número indicado nela, a carta é adquirida pelo jogador com o dado com resultado mais elevado fica com ela. Quantas mais cartas de um dado set tivermos, mais pontos ganhamos.

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O melhor neste jogo é que dados baixos continuam a ser úteis, permitindo-nos adquirir ‘pedra’ que poderá ser usada para construir ‘wonders’ que também dão pontos e habilidades especiais.

Apesar de ser um jogo de sorte aos dados, este promete maneiras de contornar o azar. A ver se realmente alcança as expectativas criadas.

 

Starfinder

A Gen Con 2017 não foi só um lugar para mostrar board games, também foram apresentados RPGs como por exemplo, Starfinder, que é nada mais do que Pathfinder no espaço (o jogo decorre milhares de anos no futuro de Pathfinder). Embora já exista bastante informação sobre o jogo, as regras ainda não estão disponíveis (nem o guia de referência). Teremos de esperar mais uns meses para termos mais informações concretas mas espera-se um grande RPG e se há algo que a Paizo conseguiu fazer foi criar um grande RPG.

 

Photosynthesis

Um jogo temático onde temos de plantar sementes vê-las crescer em grandes árvores com os raios de sol, até que as árvores estejam grandes para fornecerem pontos de vitória. Em cada ronda, o disco do ‘sol’ move-se pelo tabuleiro e dependendo da nossa posição poderemos absorver raios de sol (os recursos neste jogo) que gastamos em acções (como plantar ou fazer árvores crescer). Árvores mais altas ganham mais sol e causam sombra para outras, o que dá ao jogo uma componente competitiva e onde activamente pudemos estragar o jogo dos adversários.

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O centro do tabuleiro fornece muitos mais pontos mas é também o lugar onde mais facilmente vemos o nosso jogo estragado pela sombra das árvores de outros.

Photosynthesis foi um dos mais jogados na Gen Con 2017 e esperamos ser um dos que iremos rever mais tarde.

 

Cities of Splendor

A 1ª expansão para Splendor foi revelada na Gen Con 2017 e fornece 4 novos módulos com que pudemos jogar: um dá novas condições de final de jogo, outro fornece ‘fortalezas’ que podem ser colocadas em cartas para dar habilidades especiais, outro fornece habilidades únicas para certas combinações de cartas já adquiridas, e o último fornece cartas mais complexas. Pode parecer simples mas Splendor é um jogo já simples por si só e é excepcionalmente bom. Esta primeira expansão promete melhora-lo. É esperar para ver.

 

Fallout

A saga Fallout é tida como uma das grandes sagas de jogos de computador e que chegará em breve também para o mercado dos jogos de tabuleiro com mais um novo jogo.

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Baseado em Fallout 3 e 4, e trazido até nós pela Fantasy Flight, este jogo promete uma experiência interessante e fiel à saga, com exploração, missões secundárias e até mesmo ‘subir de nível’. Nele os jogadores navegam as wastelands e têm de lidar ou aliar-se às várias facções, resolver encontros e missões, lutar contra monstruosidades e mutantes, etc, num jogo com vários cenários e até mesmo modos diferentes de jogo. Sem dúvida promissor.

 

Legend of the Five Rings LCG

Na Gen Con 2017 foram também revelados novos jogos de cartas. Um dos que mais nos chamou à atenção foi o novo LCG da Fantasy Flight, desta vez baseado em Legend of the Five Rings. Para quem conhece esse setting sobre um mítico japão feudal, sabe que um jogo baseado nele terá de ser bastante complexo. Pois este parece ter acertado em cheio, dando a cada jogador 2 baralhos, cartas diferentes para atacar e defender, dois ‘recursos’ diferentes, contadores de honra, etc. E contrariamente ao que acontece nos jogos de cartas normais, cada partida neste pode demorar mais de 90 minutos.

 

Dragonfire

Outro jogo de cartas que nos chamou à atenção foi Dragonfire, nada mais do que a conversão de Dungeons & Dragons para este formato. Este é um jogo onde temos de construir baralhos e onde cada jogador controla uma personagem que tem de entrar em antigas catacumbas e cavernas para derrotar monstros e adquirir o ‘loot’ destas. Ou seja, a essência de D&D. Como é de esperar num jogo deste género, onde não há dados (ao contrário do RPG), as nossas habilidades são representadas pelas cartas e teremos de construir um baralho onde estas consigam fazer a melhor sinergia possível. Teremos também de trabalhar em equipa com outros jogadores, pois se há algo pelo qual D&D é famoso é ter uma equipa a trabalhar em conjunto para resolver os encontros e missões. E tal como acontece em D&D, aqui as personagens sobem de nível e ganham habilidades especiais que podem ser usadas em jogos futuros.

 

Sid Meier’s Civilization: New Dawn

À primeira vista, podem pensar “outro jogo de tabuleiro de Civilization?”. Sim, outro (desta vez inspirado em Civilization VI), e este é trazido até nós também pela Fantasy Flight, que já tinha lançado um sobre este jogo.

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Então porquê a presença dele na Gen Con 2017 e porquê falar dele? Porque os criadores prometem que este jogo manterá toda a essência da saga Civilization mas que poderá ser jogado em 1 ou 2 horas. Sim, enquanto um jogo normal de Civilization no computador pode demorar dias ou semanas, e um jogo de Sid Meier’s Civilization: The Board Game pode demorar 4 ou mais, este promete ser curto sem perder a essência. E só por isto merece a nossa atenção. Esperamos mesmo que consigam cumprir.

 

Viral

A presença de jogos portugueses na Gen Con não é novidade e desta vez foi o novo de Gil d’Orey, o jogo Viral, que chamou à atenção de muitos. Um jogo de controlo de área e com mecânicas interessantes, nele os jogadores competem para infectar zonas do corpo humano ao mesmo tempo que controlam as defesas naturais do corpo para expulsar as infecções e vírus dos outros jogadores. Mas cuidado que o corpo pode também reagir contra ti, expulsando todos os teus vírus. Assim, é garantido que nunca podes baixar a guarda.

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Outro que sem dúvida merece ser experimentado, nem que seja pelo simples facto de ter sido criado por um dos maiores criadores de boardgames portugueses.

 

Queendomino

O jogo que sucede a Kingdomino, Queendomino promete ser tão bom ou melhor que o seu antecessor. Mais complexo que o Kingdomino, e que apesar de ser independente deste se pode ligar com ele, Queendomino está entre aqueles que queremos mesmo jogar para ter uma melhor ideia.

 

Twilight Imperium 4

Chegamos à grande novidade deste ano, a nova edição de Twilight Imperium.

Este grande jogo de longas horas e grande número de fãs é reconhecido como sendo um dos melhores jogos de estratégia já criados. A nova edição criou logo um grande hype, mas ainda teremos de esperar para descobrir o que está diferente nesta 4ª edição e se vale a pena substituir o anterior.

 

Outros jogos

Obviamente, não é possível falar de todos os jogos presentes na Gen Con 2017, apenas referimos os que nos chamaram mais à atenção. Ainda assim deixamos aqui mais alguns títulos, sem falar muito sobre eles:
Codenames Duet, nada mais do que a versão para 2 jogadores de Codenames.
The Expanse, o boardgame da série de ficção cientifica com o mesmo nome.
Star Wars: Legion, um jogo de miniaturas do universo Star Wars.
Founders of Gloomhaven, um jogo ainda em kickstarter mas que não será tão complexo nem tão longo quanto Gloomhaven.
Lisboa, um jogo sobre a reconstrução da cidade de Lisboa após o terramoto de 1755.

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