Gestão do reino é desnecessariamente difícil e não tem impacto significativo no jogo

Em Pathfinder: Kingmaker nós tornamos-nos num rei de um poderoso reino. Está no próprio nome do jogo, afinal de contas! E sim, como já disse temos de gastar tempo a gerir este reino.

Seria de esperar que essa gestão trouxesse bons resultados. Afinal de contas perdem-se horas com ela. Mas não. A única coisa que tem de positiva é que dá uma escala temporal realista ao jogo: gerir o reino é algo que demora anos. A grande maioria dos projectos que se podem fazer demora 2 semanas a resolver e isso inclui projectos para melhorar as capacidades dos nossos conselheiros, projectos de expansão, projectos de pequenos bónus. E há até projectos que nada fazem – diz mesmo na descrição deles “isto não tem impacto algum”. Pessoalmente acabei com todas as 10 estatísticas do reino a nível 10, ou seja um total de 200 semanas de jogo gastas só nisso.

A gestão do reino prende-se com duas coisas importantes: gerir os nossos conselheiros e gerir as construções nas nossas cidades e vilas. Para isso temos o recurso BP (pontos de construção), que se ganha a cada semana e que pode ser comprado num mercador. É um recurso escasso dado o custo de edifícios e projectos.

Já os conselheiros são divididos a resolver problemas, aproveitar oportunidades ou tratar de projectos. Para os dois primeiros eles usam a sua estatística própria, rolando 1d20 + modificador do conselheiro. O evento é bem resolvido se o resultado for acima do DC (dificuldade). Se o resultado for muito acima tivemos um triunfo, se for muito abaixo um desastre.

Mas que impacto tem esta gestão no jogo? Nenhum tirando uma dúzia de projectos que dão bónus pequenos somente quando estamos DENTRO do nosso reino. A maioria das missões ocorre fora dele, logo raramente beneficiamos destes bónus. É que nem algo tão simples como fornecer melhores mercadores à capital, e com isso ter acesso a melhor equipamento. Nada. Melhoramos o nível de segurança de todo o reino aumentando as estatísticas militar, estabilidade e sociedade e acham que isso sequer reflecte nos diálogos com NPCs? Nop, cada vez que falam é sempre para dizer o quão inseguro é o reino. E vê-se, damos meia dúzia de passos no mapa do reino e encontramos alguém ou alguma criatura que nos quer mal. Em eventos escolhemos dar melhor formação e equipamento aos soldados e isso vê-se nos guardas? Nem por isso.

Pior ainda é ter eventos completamente desajustados e alguns impossíveis de resolver sem clara batota. A única forma de conseguir ter uma gestão decente é dividir a evolução do reino entre as várias estatísticas. De nada serve forcar-nos só a desenvolver o militar, por exemplo, se vão aparecendo problemas que requerem que a espionagem esteja desenvolvida. Por cada vez que subimos um rank numa estatística, o conselheiro responsável por essa estatística ganha um bónus de +2 (geralmente) ao seu roll acima descrito e a maioria dos DC estão acima de 17 logo somos obrigados a desenvolver todas as estatísticas. Até que começam a aparecer problemas que requerem DC 30 e os nossos conselheiros disponíveis para esses problemas só têm +12 de bónus. A probabilidade de desastre é enorme e se os ignorarmos é igualmente mau para o reino. E mais para o fim há mesmo eventos de DC 45 – na altura os meus conselheiros tinham +25 de bónus – que nunca desaparecem e que todas as semanas penalizam as estatísticas do reino. Como se resolve isto? Com muitas horas a saltar entre gravar, voltar atrás, gravar, voltar atrás, até se ter o resultado pretendido. A frustração que isto causa é enorme e todo o processo tira divertimento. Até porque cada ecrã de loading demora demasiado tempo como disse antes.

A gestão do reino também entra em forte conflito com as missões com tempo limite. Há demasiados eventos que requerem que regressemos à capital, por exemplo, o que é chato quando temos de resolver uma missão que fica longe desta e tem tempo contado. Mas o que chateia mesmo mais é a frequência com que eventos aparecem para serem resolvidos. Chega mesmo a ser algo tão parvo como saio da cidade e nem um troço do caminho percorri até que apareça um novo evento. E lá vou eu ter de gastar mais 2 ecrãs de loading para meter um conselheiro a resolvê-lo. Conselheiro esse que eu até queria poupar para dentro de alguns dias o usar num projecto.

Lado positivo é que isto só afecta o reino em si e como vimos em cima, esteja o reino mal esteja bem, o impacto no jogo é o mesmo. Com uma excepção: se uma das estatísticas chegar a 0, perdemos o jogo todo. Há uma opção que remove essa gestão do jogo, deixando-nos mais tempo para jogar e menos chatices. Há quem diga ‘isso é menos divertimento’ mas tendo em conta que boa parte do divertimento foi perdido por causa dela, sinceramente se tivesse de jogar Pathfinder: Kingmaker novamente tirava essa gestão.

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REVIEW GERAL
Avaliação Pessoal
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Engenheiro de profissão e gamer por gosto, João Paulo adora boardgames, RPGs de mesa e computador, RTS e shooters e olha para jogos para uma excelente forma de arte, transmitir emoções e contar histórias fenomenais.

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