RPG de Pokémon

Um dos projectos que sempre foi falado no meu grupo de role-play, mas nunca foi realizado foi um de nós correr, uma campanha RPG de Pokémon. Apesar de a paixão pelo franchise não ser geral a todos os membros do grupo, aqueles que gostam (eu incluído), gostam com paixão, mas por várias razões esse projecto nunca foi realizado.  Até agora.

A febre que foi o Pokémon GO reavivou a ideia e meti mãos a obra.

 

O sistema

O primeiro desafio foi arranjar um sistema que pudéssemos usar para este RPG de Pokémon. Devido ao tamanho e variedade de opções adaptar um sistema ja existente não era uma opção e não achamos nenhum sistema oficial, pelo menos não um que nos satisfizesse. Como tal embarcamos na demanda de procurar por sistemas feitos por fãs. Acabamos por escolher o sistema Pokemon Tabletop United, que, apesar de não ter updates desde Fevereiro de 2016 foi-me indicado em vários fóruns como sendo o melhor do ponto de vista role-play/combate.

Após alguns dias a analisar o manual fiquei convencido.

 

O desafio

O primeiro ponto que foi decidido pelo grupo é que não queríamos simplesmente 6 pokémon e fazer combates entre nós / contra NPC, queríamos uma campanha. Isto levou a algumas questões.

O mundo dos jogos é baseado na ideia que uma pessoa, depois de varias dezenas de horas a ganhar XP e maximizar os seus 6 pokémon, pode-se tornar o melhor do mundo. Mas numa party é complicado, se não impossível,  de ter um jogador com o titulo de “O melhor do mundo”. Mesmo que o grupo fosse composto por concorrentes que trabalhavam juntos para ficarem melhores, continuavam a ser rivais e começar uma campanha com a ideologia de que a party vai ser composta por personagens concorrentes umas as outras leva a um ambiente mais pesado e corta varias oportunidades.

Por isso cortei o conceito da Poké-liga. Não existindo o objectivo de um deles ser o melhor do mundo, permite a existência de um espírito mais genuíno de companheirismo, que na minha opinião, é fundamental para uma campanha de longo curso.

Outro problema do conceito original são as horas que é suposto gastar a combater repetidamente os mesmos pokémon selvagens para subir os nossos de nível. Forçar randon encounters, especialmente quando deixam de ser um desafio, é das piores experiências que se pode ter numa campanha.

Portanto, o meu objectivo era pegar nos conceitos mais básicos e fundamentais do franchise e removê-los, garantindo que ainda assim tinha algo para iniciar os PCs na sua demanda.

 

O Mundo

Tinha de criar um mundo onde existe tecnologia para transformar criaturas em energia e coloca-las dentro de bolas, mas não pode ter armas de fogo que poderiam resolver um encounter antes de começar. Por outro lado também não queria que alguns itens, especialmente pokébolas, fossem facilmente acessíveis pela party sem parecer que o DM estava a impedir que eles tivessem os itens.

Acabei por optar por um mundo quase pós-apocalíptico,  em que um enorme guerra derrubou a civilização como a conhecemos, obliterando cidades e eventualmente a tecnologia necessária para criar os itens que eu não queria que a party tivesse fácil acesso.

Este conceito não é de todo estranho ao franchise, pois grandes guerras capazes de destruir países e até continentes foram mencionadas várias vezes durante os jogos.

A partir do momento que o conceito do mundo ficou definido comecei a trabalhar nos detalhes. Os PCs iriam ser membros de uma pequena aldeia, décadas depois da guerra acabar (ou deslocar-se para outro lado), em que batalhas de pokémon são apenas lendas antigas.

 

A Party 

Marik – Um aprendiz de ferreiro, habituado a procurar os antigos locais onde grandes batalhas aconteceram, procurando nos restos abandonados por coisas que pode ser reutilizadas

Dosh – Um dos mais jovens caçadores da aldeia, está a aprender a arte de caçar pokémon selvagens para dar carne a aldeia e a pescar para arranjar peixe

George – Apesar de ser fisicamente imponente, é no fundo um estudioso, procurando lendas a conhecimento antigo sobre o mundo que os rodeia, usando o seu tamanho e força para ajudar na aldeia quando preciso

Allen – Aprendiz de curandeiro, tem como missão manter a party viva

São estes os 4 valentes que vão começar como membros de uma pequena vila marítima e vão eventualmente salvar o mundo.

A criação da party ocorreu de uma maneira incrivelmente fluída e natural, cada jogador escolheu um conceito que faria sentido numa aldeia isolada do resto do mundo num mundo semi-pós-apocalíptico e desenvolveram as personagens ainda antes de saberem qual seria o seu starter pokémon (eu nem lhes dei a lista das possibilidades), usufruindo em muito do facto de que todos eles conhecem-se desde sempre, criando interacções entre os PCs bastante interessantes logo a partida.

 

Últimos reparos

Tanto o processo de adaptação e modelamento do mundo, tal como a criação da party e a inserção no mundo foram desafios fascinantes, diferentes de qualquer outra campanha em que eu tenha participado.

Estou disponível para qualquer duvida, critica ou sugestão.

Até a próxima =D

 

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