Shadow Tactics

Para quem cresceu a jogar pérolas como Commandos 1 e 2 ou Desperados: Wanted Dead or Alive, Shadow Tactics é como um regressar às raízes e reviver o que esses jogos tinham de muito bom antes de serem estragados pelas suas sequelas manhosas.

Tal como os seus antecessores, neste fantástico jogo controlamos uma equipa de 5 personagens distintas, especialistas em várias áreas. Mugen, um samurai, é fantástico a matar guardas corpo a corpo e o único capaz de carregar pesos sem dificuldade. Aiko é especialista em mascarar-se para se infiltrar e distrair. Hayato é um ninja, especialista em emboscar. Yuki é uma ladra, fraca em combate mas capaz de atrair inimigos para cima das suas armadilhas. Takuma é um velho mestre de tiro, armado com uma espingarda de longo alcance, algumas bombas e controlo de Kuma um animal amestrado que serve para atrair inimigos para uma certa localização.

Personagens de Shadow Tactics

Juntos, e liderados por Mugen, têm de trabalhar em conjunto para enfrentar uma ameaça à paz que o shogun conseguiu ao unificar o Japão e dando início ao Período Edo. A ameaça, conhecida apenas por Kage, procura trazer novamente os tempos de guerra ao país e destronar o shogun.

Em Shadow Tactics voltamos a encontrar as boas e velhas mecânicas que Commandos e Desperados. Um jogo isométrico com belos cenários. Ao longo de 13 níveis diferentes teremos de enfrentar hordas de guardas para atingir os mais variados objectivos. E para lidar com guardas só há duas opções: ou evita-los ou mata-los. Diplomacia não entra em jogo.

Cada inimigo tem um campo de visão, em forma de cone, dentro do qual pode detectar as nossas personagens. Na zona de linhas só detecta quem tiver em pé mas na cheia começam avistam-nos logo mesmo que estejamos deitados.

Claro que não somos obrigados a passar o cenário (na maioria das missões) sem sermos detectados. Mas conflito constante não é a solução adequada já que há muitos inimigos armados com espingardas e que portanto nos matam à distância. E enquanto eles têm balas infinitas, as nossas personagens estão muito limitadas nas suas munições.

Sniper em Shadow Tactics

Existem vários tipos de guardas. Uns são fáceis de distrair e vão procurar o mínimo som ou visão momentânea de uma personagem. Outros, que usam chapéu, não são distraídos de todo. Depois há os samurai, que não são distraídos nem caem em armadilhas e que matam rapidamente os nossos especialistas (à excepção de Mugen). Aliás, a única maneira de lidar com samurai é usar Mugen em combate um-a-um ou dar-lhe um tiro e pouco tempo depois ataca-lo corpo-a-corpo com outra personagem.

E muitos guardas estão dispostos de tal forma que nos dificultam a vida. Se eles virem outro guarda a ser morto, ou um corpo caído, dão logo o alarme. Alguns deles dão o alarme se desaparecer um guarda com quem estavam a interagir vão investigar e possivelmente dão o alarme. E depois existem ainda os cidadãos que alertam se nos virem. Todo o jogo gira à volta de sabermos usar bem as nossas personagens e as suas habilidades únicas para lidarmos com estes perigos todos.

Cada cenário tem também vários elementos com os quais pudemos interagir. Aiko, Hayato e Yuki conseguem, por exemplo, subir a telhados, saltar de telhados, percorrer cordas em equilíbrio e afins. Já Mugen consegue atirar objectos pesados como rochas ou barris explosivos para cima de inimigos. Em alguns cenários encontramos bois que se provocados dão coices que chamam à atenção ou matam quem estiver atrás do boi. E noutros podemos entrar em carroças para percorrer parte do cenário evitando muitos inimigos. E felizmente todos os mapas fornecem arbustos e outros locais onde pudemos esconder-nos facilmente.

Cone de visão em Shadow Tactics

O último grande ponto forte de Shadow Tactics está mesmo em todo o ambiente. Os cenários estão muito bem criados e detalhados e transportam-nos muito bem para o Japão Feudal que fascina imensa gente, que são acompanhados por uma banda sonora excelente e claramente inspirada em música tradicional japonesa. Já a actuação em termos de actuação de voz, o jogo traz duas opções: japonês ou inglês. Eu aconselho vivamente a primeira, não só para nos manter dentro do espírito do jogo mas também porque as vozes inglesas são claramente cliché e nem parecem muito bem ajustadas.

Em tudo o resto, quem jogou Commandos e Desperados encontrará imensas semelhanças e não terá qualquer dificuldade em perceber como Shadow Tactics funciona. Quem nunca jogou poderá ter alguma dificuldade ao inicio mas felizmente o jogo fornece uma missão de tutorial que explica muito bem praticamente tudo o que se pode fazer. Não deixem de o experimentar, pois é um excelente jogo táctico que traz de volta o que este estilo tem de muito bom.

 

 

REVIEW GERAL
Avaliação Pessoal
8
Engenheiro de profissão e gamer por gosto, João Paulo adora boardgames, RPGs de mesa e computador, RTS e shooters e olha para jogos para uma excelente forma de arte, transmitir emoções e contar histórias fenomenais.

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