Quase duas décadas depois do lançamento de Starcraft, uma das sagas icónicas da Blizzard chega ao fim com o lançamento de Starcraft II: Legacy of the Void. O jogo que quase não passou de uma cópia de Warcraft 2 durante a fase de projecto inicial rapidamente ganhou popularidade capaz de rivalizar Warcraft 2, o principal RTS da companhia. Este jogo, embora um RTS na sua essência, difere bastante do ‘parceiro’ por introduzir 3 raças completamente distintas entre si, cada uma com mecânicas únicas, ao contrário das duas raças semelhantes que existe em Warcraft.

Contrariamente ao primeiro jogo da saga, que teve uma única expansão chamada Starcraft: Brood WarStarcraft II foi lançado dividido em 3 partes: a 1ª chamada de Wings of Liberty, que contém a campanha da raça Humana, lançada em 2010; a 2ª chamada de Heart of the Swarm, que contém a campanha da raça Zerg, lançada em 2013; e a 3ª chamada de Legacy of the Void, que contém a campanha da raça Protoss, lançada em 2015. E todas estas partes vão ser contempladas nesta review, pois só em conjunto se tornam um jogo completo.

 

A essência do jogo

Starcraft II é um jogo de estratégia em tempo real (RTS) puro, não tem mais elementos diferentes como heróis que sobem de nível e ganham habilidades (um pouco estilo RPG) que se vê em Warcraft 3. O jogo limita-se a seguir tudo o que este estilo e o que o seu antecessor tem de bom e sólido, inclusive mantém as unidades, edifícios e recursos que já existiam nesse jogo. E em vez de fornecer novas mecânicas limita-se a fornecer mais algumas unidades e a dar algumas habilidades. Ou seja, o jogo mantém-se bastante fiel à essência da saga, não alterando nada de vital e evitando assim algumas falhas como as vistas em muitas outras sagas (exemplo: Dragon Age) onde uma sequela destrói ou altera radicalmente o que já tinha sido estabelecido num jogo anterior. Quem quer que jogue Starcraft II vai sentir que está a jogar o antigo e muito bom Starcraft I mas com algumas novas adições (quase como se tivesse recebido DLCs) e gráficos bastante melhorados

Starcraft II - batalha entre humanos e Protoss

 

O caminho até Starcraft 2

Passado no século XXV, numa parte longínqua da galáxia conhecida apenas por Sector Koprulu, Starcraft II pega na história da saga poucos anos após os eventos de Brood War:

Os humanos que viram o antigo regime a ser tomado pela rebelião comandada por Arcturus Mengsk, que durante a sua ascensão traiu Sarah Kerrigan, deixando-a ser tomada e corrompida pelos Zerg e criando assim a temida Queen of Blades, e consequentemente Jim Raynor o amante desta. Jim jura então vingança contra Mengsk e jura que ou matará a Queen of Blades ou a salvará.

Os Zerg, que perderam as sua mentes líder, as Overmind e os broods que surgiram depois em Brood War, estão agora sob o julgo da Queen of Blades.

Os Protoss Templar, que perderam o seu planeta natal de Aiur (apesar do sacrifício de Tassadar, um dos seus maiores heróis, para matar a primeira Overmind) foram forçados a pedir auxílio à facção Protoss exilada Nerazim (Dark Templar), no planeta Shakuras, e são agora liderados por Artanis. Apesar de terem sido exilados por recusarem aceitar a ‘khala’, a energia psiónica que liga todos os Templar em pensamento e emoção, os Nerazim acolheram-os e juntaram-se à causa deles.

Entretanto, Zeratul, um Dark Templar, descobre que um ser chamado de Samir Duran e também conhecido por Narud, está a criar um exército de híbridos protoss-zerg a mando do seu mestre, um Xel’Naga (a raça que criou toda a vida na galáxia) chamado Amon, para destruir toda a galáxia. Ele parte então à procura de pistas e profecias que falem do regresso de Amon e de como este pode ser parado.

 

A continuação

Starcraft II começa alguns anos após os eventos de Brood War e tal como aconteceu em Starcraft I, o jogo divide-se em campanhas (neste caso cada parte é uma campanha) começando pela dos Humanos, seguida da campanha dos Zerg e acabando na campanha dos Protoss.

Wings of Liberty – A campanha dos Humanos revolve à volta de Jim Raynor. Procurado pelo regime, ele consegue não só criar uma nova rebelião como rouba um dos mais avançados cruzadores e usa-o como base móvel. Nesta campanha tenta-se minar o regime de Mengsk mas rapidamente se descobre, graças a Zeratul, que o Amon é o verdadeiro inimigo e que o único ser realmente capaz de lhe fazer frente é a Queen of Blades. Contudo esta tem em primeiro de ser salva, pois foi criada graças à influência de Amon. Para isso Jim terá de recolher aliados e tecnologias extra, bem como adquirir à força peças de um artefacto Xel’Naga muito poderoso chamado apenas de Keystone. Aliando-se ao príncipe Valerian Mengsk, que compreende que o seu pai está muito para lá da redenção, eles acabam por atacarem diretamente o planeta Char, onde a Queen of Blades se encontra com a maioria das suas forças Zerg. Aí eles usam o poder da Keystone para transformarem de volta Kerrigan, removendo toda a influência de Amon da sua genética e quase todo o material Zerg do seu DNA. A campanha acaba com Jim carregando Kerrigan nos seus braços, no que se espera ser um final feliz para ambos.

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Heart of the Swarm – A campanha dos Zerg revolve à volta de Sarah Kerrigan, agora humana, e de como esta é forçada a tornar-se novamente na líder dos Zerg. O desejo de vingança contra Mengsk e por este a enganar novamente fazendo-a pensar que Jim Raynor foi morto, faz com que Kerrigan tome novamente controlo de alguns Zerg e procure melhorar não só as suas forças como aumentar o seu controlo sobre o enxame. Zeratul acaba por a contactar, informando-a não só sobre Amon mas também sobre como ela pode tornar-se em algo ainda mais poderoso que a anterior Queen of Blades. Para isso ela viaja até Zerus, o planeta natal dos Zerg onde Amon os alterou e deformou no exame que ela tenta controlar, e lá Kerrigan transforma-se voluntariamente numa nova versão da Queen of Blades, mas desta vez retém a sua livre vontade e inteligência. Com esse novo poder, e conseguindo um maior controlo sobre muitos Zerg, ela salva Jim e confronta Mengsk. Com a ajuda de Jim Raynor, Mengsk é derrotado e morto, e Kerrigan despede-se para ir à procura dos Xel’Naga e de como pode ela derrotar Amon.

Legacy of the Void – A última campanha, a dos Protoss, é a mais fraca das 3, tendo sido a que recebeu pior cotação entre eles (ainda assim, uns sólidos 88 em 100). Ela revolve à volta de Artanis que lidera o seu povo mais unido e forte para retomar Aiur, agora que os Zerg perderam a liderança e deixaram de estar sobre o controlo da antiga Queen of Blades, tornando-se assim pouco mais que animais. Contudo cai numa embuscada, pois os híbridos de Amon dominam o planeta e devido à Khala, a ligação que une todos os Templar, grande parte dos Protoss cai sobre o controlo directo de Amon. Zeratul, que descobriu que a única esperança residia no artefacto Keystone e que este os poderia levar a outros Xel’Naga, liberta Artanis deste controlo cortando-o dessa energia psiónica mas sacrificando-se no processo. Artanis, por sua vez, procede a fazer o mesmo a outros Protoss que encontra e juntos fogem de Aiur numa nave colonizadora chamada “Lança de Adun”. A campanha revolve à volta de Artanis e a sua tentativa desesperada de unificar as várias facções Protoss e juntos confrontar Amon e envia-lo de volta para o seu plano de existência.
Infelizmente esta campanha não traz grandes inovações mesmo em termos de conteúdo, caindo em temas como “embora sejamos diferentes somos todos Protoss e temos de saber respeitar a cultura de outras facções”, “só ao libertarmo-nos do passado é que pudemos construir um futuro” e também “as máquinas inteligentes que criamos têm personalidade própria e merecem ser reconhecidas como iguais e não meros escravos ou utensílios”, ambos temas que já tinham sido fortemente abordados em Mass Effect.
A campanha acaba com a derrota de Amon em Aiur e a libertação do planeta, seguindo-se uma campanha de Epílogo onde Artanis, Jim e Kerrigan dirigem as suas forças para confrontarem e derrotarem Amon no seu próprio universo, acabando na ascensão de Kerrigan a Xel’Naga e na derrota final de Amon.

Kerrigan em Starcraft II - Heart of the Swarm

 

Jogabilidade e grafismos

Em termos de jogabilidade, Starcraft II não difere em nada do seu antecessor. Como foi dito, apenas foram adicionadas algumas novas unidades e habilidades o que permite estratégias diferentes e força a uma micro-gestão mais cuidada. Nas campanhas, contudo, foram adicionadas mecânicas interessantes que permitem ir melhorando unidades e edifícios ao longo da campanha em si, sen a única diferente a Legacy of the Void onde em vez de se melhorar unidades e edifícios escolhe-se que unidades se quer utilizar e habilidades globais da “Lança de Adun” (o que por si também mostra menos empenho por parte da Blizzard nesta 3ª parte).

A grande inovação vem mesmo por parte do grafismo, que está bastante detalhado e avançado, principalmente nas cinemáticas. Ainda assim, a diferença entre os gráficos de Wings of Liberty, Heart of the Swarm e Legacy of the Void diferem muito pouco, apesar de terem sido lançados num espaço de 5 anos, o que é compreensível visto serem 3 partes de um só jogo, mas que ainda assim desaponta um bocado. Infelizmente desapontam também devido ao facto de os gráficos serem estilo “cartoonesco”, já típico da Blizzard desde Warcraft 3, o que retira bastante do espírito negro e sombrio que existia em Starcraft I. Ainda assim, é um pequeno ponto negativo num todo muito bom.

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Veredicto Final

Starcraft II é um excelente jogo que termina de forma fantástica esta icónica saga e que certamente agradará a todos os fãs do género RTS.

Inovação: 8 em 10. Starcraft II não introduz grandes inovações ao género mas mantém-se bastante fiel ao antecessor e não se arrisca a destruir a saga com adições ou mudanças desnecessárias. As suas adições às campanhas, que permitem ter estratégias e unidades únicas, bem como a sua forte e sólida ligação à Battlenet, permitem-lhe esta pontuação.

Gráficos: 7,5 em 10. Os gráficos de Starcraft II são bastante bons, embora já um bocado desactualizados. Mas o seu estilo “cartoonesco” retira bastante do seu ambiente negro e sombrio presente no seu antecessor.

Mecânica: 8 em 10. As mecânicas de Starcraft II são sólidas, construídas sobre o que o género e o antecessor já tinha de muito bom, permitindo boas e diferentes estratégias e uma elevada micro-gestão.

Conteúdo: 8 em 10. Embora Legacy of the Void tenha desapontado em termos de conteúdo, toda a saga tem uma história espectacular, complexa e única. Em termos de unidades e edifícios, as novas adições e ajustes às existentes são bastante boas.

Execução: 8,6 em 10. Starcraft II foi bastante bem executado, embora o longo tempo que levou a ser pensado e feito, bem como o tempo que cada uma das suas partes levou a ser lançada, seja um bocado ridículo. Ainda assim não desaponta e dá mesmo vontade de jogar vezes sem conta, não só toda a saga devido à sua história mas também em single-player contra a IA e em multiplayer contra outros jogadores.