Suburbia

Gostas de jogos de planeamento e gestão urbanística mas não queres perder horas a fio a jogar algo mais complexo como Sim City ou Cities: Skylines? Então Suburbia é sem dúvida o jogo para ti.

Neste boardgame de 1 a 4 jogadores, cada jogador toma controlo de uma potencial cidade e terá de agir como ‘mayor’, decidindo que projectos de construção e expansão da cidade são aplicados e onde, ao mesmo tempo que tem de gerir não só a quantidade de dinheiro disponível, como a quantia que consegue obter todos os turnos graças à economia da cidade, bem como a reputação desta que atrai pessoas para lá viver.

Durante todo o jogo de Suburbia, haverá um número limite de projectos que podem ser construídos. Estes são Residenciais, Comerciais/Escritórios, Industriais, Serviços Comunitários ou Lagos, e todos seguem o mesmo sistema de cor aplicado por Sim City (projectos Residenciais são verdes, os Comerciais/Escritórios são azuis e os Industriais são amarelos). Em cada turno estão apenas 7 projectos disponíveis que o jogador activo pode obter pagando o custo dele. Se obter um projecto, pagando o custo indicado na peça, o jogador tem imediatamente de o colocar na sua cidade que só começa com uma indústria básica, um parque comunitário e uma peça de residências básicas. Cada peça representa um projecto de desenvolvimento para cidade e estas são por sua vez colocadas num sistema hexagonal. As peças têm, geralmente, sinergias e efeitos que activam consoante as peças adjacentes, consoante o tipo de peças presente na cidade, ou consoante o tipo de peças presente em todas as cidades dos jogadores. Assim, torna-se imperativo saber onde colocar a peça e calcular bem os seus efeitos tanto actualmente como em jogadas futuras.

Suburbia e seus components

Se o jogador activo não comprar nenhum projecto, nem escolher fazer lagos, ele deverá remover um dos projectos disponíveis. Entre os 7 projectos que podem ser adquiridos pelo jogador activo, só 2 custam o preço indicado na peça, os restantes 5 têm custos acrescidos (adicionados ao preço base), o que torna toda a estratégia do jogo mais competitiva porque no final de cada turno os projectos mais à esquerda (nos espaços mais caros) avançam para a direita por forma a ocupar espaços livres e tornando-se assim mais baratos para outros jogadores. Logo, cada jogada deverá ter também em conta o que outro jogador pode ou não querer, ou corre-se o risco de deixar passar projectos que dão grandes benefícios aos adversários. Remover projectos que outros jogadores não queiram não tem custos a não ser o acréscimo indicado em cima para 5 dos 7 projectos. Depois de removido o projecto, entram um novo vindo das pilhas A, B ou C, construídas com peças adicionais de acordo com o número de jogadores (os projectos da pilha B tendem a ser mais valiosos que os da pilha A e os da pilha C tendem a ser mais valiosos que todos os anteriores). O novo projecto entra para a posição de custo extra mais caro.

Quando o jogador activo termina o seu turno, ele deverá fazer a actualização dos dois medidores que tem: um de rendimento e outro de reputação. O jogador recebe dinheiro de acordo com o ‘rendimento’ da sua cidade, seguido de acréscimo de população de acordo com a reputação desta. Uma cidade com elevado rendimento fornece muito dinheiro para a jogada seguinte e uma cidade com muita reputação permite ganhar população rapidamente. Mas atenção, à medida que a cidade cresce, torna-se mais difícil mantê-la. Se o contador ultrapassar alguma das barreiras vermelhas no tabuleiro de pontuação, o jogador deverá baixar os medidores de rendimento e reputação em 1. Quanto maior a quantidade de pessoas, maior o número de barreiras existentes, indicando assim o facto de metrópoles grandes serem difíceis de gerir em termos económicos mas também em termos de ‘felicidade e desejo de lá viver’.

No final do jogo, que só ocorre quando sair a peça de final de jogo existente na pilha C, ganha quem tiver maior número de população na sua cidade.

'Close up' das telhas de construção

Para além das regras base, existem opções adicionais como a de duplicar por completo o efeito de um projecto e o de planear o jogo de acordo com objectivos (alguns secretos, outros públicos), que no final do jogo aumentam o número de pessoas da cidade.

No seu geral, Suburbia é um jogo bastante fácil de compreender. Compra/coloca uma peça pagando o custo mais qualquer custo extra da posição da peça no tabuleiro, duplica um projecto ou passa o turno; remove um dos projectos disponíveis se não tiveres colocado nenhum no teu turno pagando qualquer custo extra da posição da peça; actualiza medidores; recebe dinheiro e população indicado nos medidores; actualiza o contador de pontuação (população) no respectivo tabuleiro e verifica se isso não afecta os teus medidores. Tudo o resto é fácil de perceber lendo o que as peças indicam (o os manuais para algumas peças específicas). No entanto, este é um jogo que requer muita atenção e um elevado pensamento estratégico de planeamento e gestão, tanto para o turno actual como para os turnos futuros. Dificilmente uma má jogada estraga todo o jogo, em Suburbia isso muito raramente acontece, mas uma boa jogada pode dar um avanço enorme no final do jogo.

 

Número de jogadores: 1 a 4

Número ideal de jogadores: 3

Duração de uma partida: 90 minutos

Complexidade: Suburbia é um jogo de regras simples mas com uma mecânica que requer alguma experiência de jogo ou pelo menos conhecimento básico de gestão urbanística e de jogos de “gestão de cidades”. Não é indicado para quem tem pouca experiência de jogos de tabuleiro.

Replayability: Suburbia é daqueles jogos que pode dar algumas voltas ao nosso cérebro por ser necessário planear ‘mais à frente’. Por isso não deve ser jogado várias vezes de seguida, ou torna-se cansativo. Contudo, é um jogo que tem uma boa simplicidade aliada a uma forte componente estratégica, tornando-o num jogo que é bom de jogar bem mais do que uma vez.

Avaliação pessoal: 8,7/10