Fidelidade à saga Borderlands

Criar todo um mundo/universo é difícil. Mas criar uma história dentro de um mundo/universo que não é da nossa autoria pode ser ainda mais difícil. Felizmente Tales from the Borderlands conseguiu manter-se fiel ao universo criado pela Gearbox e a 2K Games, recorrendo a lugares comuns e a personagens introduzidas na saga Borderlands. Favoritos como Scooter, Athena e Janey Springs são encontrados em Tales from the Borderlands e é mesmo possível obter a ajuda do famoso, amado-e-odiado Claptrap. E embora não se possa começar uma carnifícina recorrendo habilidades e armas estrondosas, como acontece em Borderlands, o jogador sente que está dentro de um título da saga, explorando o mundo de Pandora não através de um Caçador de Vaults, imbatível e carregado de habilidades e dinheiro, mas através de uma personagem frágil e em muitos sentidos incompetente e mal-preparada para essa vida.

Tales from the Borderlands não se limita a contar uma história paralela sem impacto na saga Borderlands. Pelo contrário, serve como continuação à saga. Em Borderlands 2, Handsome Jack é derrotado e morto. Em Borderlands The Pre-Sequel temos a oportunidade de ver como Handsome Jack chegou ao poder e se tornou louco mas ao mesmo tempo vemos parte do futuro da saga, com Athena a ser interrogada meses após a derrota de Handsome Jack. Em Tales from the Borderlands a história decorre entre Borderlands 2 e esse interrogatório a Athena, sendo muito bem introduzido como ela é capturada e o que lhe acontece após Borderlands The Pre-Sequel.

Tales from the Borderlands também serve para alterar os parâmetros da saga, que por si já nos tinha mostrado como certas mudanças podem ser radicais e inesperadas ao matar a personagem Roland. Em Tales from the Borderlands vemos o fim da corporação Hyperion, o renascer e reestruturar da corporação Atlas e até se assiste à morte de mais uma personagem adorada da saga. O quer que a Gearbox e a 2K Games nos apresentem como continuação, será certamente diferente do que se imaginava quando chegavamos ao fim de Borderlands 2.

Para além de sentirmos que realmente estamos no mesmo mundo da saga Borderlands, o jogo Tales from the Borderlands mantém-se fiel também no estilo de humor que nele encontramos e ao qual Borderlands já nos tinha habituado. No meio de decisões cruciais e desenvolvimentos por vezes inesperados, o jogo arranca de nós imensas gargalhadas, mostra-nos personagens únicas e divertidamente perturbadas, decorrer de acções que só podem ser descritos por “awesome” e mesmo referências inesperadas como a de estar envolvido numa batalha de robôs gigantes à estilo Power-Rangers.

Power Rangers style!