Thronebreaker

Dois anos e meio depois de ser anunciado, e após uma beta que durou mais de ano e meio, Gwent foi finalmente e oficialmente lançado e com ele veio o fantástico jogo Thronebreaker, que é nada mais do que um jogo single player que usa as regras de Gwent. Mas se eram precisas mais provas de que a CD Projekt Red é capaz de continuar a produzir excelentes títulos e RPGs, Thronebreaker é mais uma dessas provas. Porque sim, este jogo – apesar de não termos personagens com classes e níveis e inventários e habilidades, tem uma das coisas que o torna mais RPG do que alguns que andam por aí: o jogo está é longo, rico e carregado de decisões que têm verdadeiro impacto na história, ao mesmo tempo que temos a possibilidade de criar inúmeras estratégias com as cartas existentes. E é isto que torna Thronebreaker tão fascinante: um jogo de cartas onde temos tantas decisões, uma história tão rica que nos leva a explorar regiões incríveis por dezenas de horas de jogo, e uma gestão de cartas importante que mais parece estarmos a jogar um RPG onde as cartas são as nossas habilidades e/ou inventário. E Meve, a rainha que controlamos, a nossa personagem.

 

História e escolhas. Muitas escolhas

A história de Thronebreaker decorre antes dos acontecimentos da saga de video jogos The Witcher, durante a primeira invasão de Nilfgaard contra os reinos do norte. Meve, rainha de Lyria e Rivia, está de regresso ao reino após uma ausência de várias semanas, tendo deixado este nas mãos do seu filho Villem. Mas ao regressar encontra o seu reino povoado por bandidos, o que a deixa furiosa pela incapacidade do seu filho de governar. E tudo corre para o torto quando, após lidar com os bandidos, o império invade o seu reino. Como rainha, Meve não tem outra opção senão reunir os seus exércitos e tentar repelir o invasor. Mas acaba por ser traída pelo seu filho e os restantes nobres, que preferem submeter-se aos invasores para impedir uma guerra sangrenta contra um reino que é 10 vezes mais poderoso que Lyria e Rivia. A coroa é lhe roubada e Meve encarcerada. A única maneira que tem de escapar, recuperar o seu reino e derrotar os invasores é aceitar a ajuda mais inesperada: daqueles que prendeu.

O seu caminho leva-a a visitar vários reinos e regiões: Aedirn, Mahakam, Angren, tudo em busca de apoio e recursos para obter um grande e poderoso exército.

Mas o caminho não é fácil e está carregado de escolhas. A grande maioria destas são baseadas no ‘menor dos males’, tal como é de esperar de um jogo no mundo The Witcher. Muitas das decisões têm impacto no desenvolver da história, com consequências imprevisíveis. Tem também impacto nas personagens que encontramos, fazendo com que estas se aliem a nós ou nos abandonem. O próprio final do jogo reflecte algumas das decisões tomadas e a forma como jogamos com Meve, naquilo que é a essência de um RPG (role-playing game, ou seja jogo de interpretação de personagem).

Thronebreaker fornece-nos também personagens muito bem construídas e interessantes, que nos vão fazer rir ou irritar, mas que vamos certamente gostar de conhecer.

 

Mecânica do jogo

Para quem conhece o jogo GwentThronebreaker é bastante simples: as batalhas têm um máximo de 3 rondas e basta ganhar 2 para se vencer o adversário. As rondas decorrem por turnos onde jogamos uma carta da nossa mão para uma de duas filas de combate. As cartas, que são as unidades do nosso exército e alguns objectos, pdem ter habilidades que se despoletam quando as jogamos ou que pudemos despoletar mais tarde. Todas as unidades têm também um número que indica o seu ‘poder’. As rondas decorrem até ambos os participantes ‘passarem’ ou seja não jogarem mais cartas (seja porque já não têm, seja porque não querem). Numa batalha normal ganha a ronda quem tiver maior ‘poder’ nessa ronda.

Quase todas as cartas jogadas são removidas de uma ronda para a outra, e toda as cartas que não jogamos continuam na nossa mão (que tem limite de 10 cartas). Compramos 3 novas cartas e jogamos a nova ronda.

Isto é o geral, claro, mas a enorme estratégia do jogo está na combinação de cartas a usar por causa das habilidades destas, tal como é esperado de um jogo de cartas. E a escolha é muita, desde habilidades que movem criaturas, que dão dano, que aumentam a força das nossas criaturas, que nos fazem comprar mais cartas, etc.

 

Em Thronebreaker existem também várias batalhas com regras especiais. Entre estas a mais comum é a de durar só uma ronda, onde temos de fazer os possíveis para ter o maior poder militar no fim da ronda. Mas existem várias batalhas com regras únicas, cartas específicas e objectivos únicos. Estes puzzles são capazes de dar nós ao cérebro dos jogadores já que uns são óbvios mas outros são bastante complicados. Num destes até jogamos Hearthstone!

 

Veredicto Final

Aconselho vivamente este jogo para os fãs de RPG, para os que gostam de uma boa história e gostam The Witcher e, claro, para todos os fãs de jogos de cartas. Pessoalmente não sou um mas este adorei!

E apesar das notícias iniciais terem dito que Thronebreaker seria somente um exclusivo GOG, isso mudou e também o podem encontrar no Steam.

Nota final: 8/10

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