Numenera

Normalmente não gosto de trailers, seja de filmes ou jogos, mas as vezes, quando as estrelas estão alinhadas, um capta-me. A minha experiência com Torment: Tides of Numenera começou assim:

Não sei o que foi que me captou, se a promessa de um antagonista que começou humano e se tornou um deus, se foi a presença de uma aberração saída de uma historia de Lovecraft ou simplesmente por ser o sucessor do clássico (e um dos meus preferidos) Planescape : Torment

Ou talvez tenha sido a arte e a narração, ou o jogo começar com a personagem principal em queda livre.

Só sei que foi amor a primeira vista.

E agora que a espera acabou e finalmente consegui jogar o jogo venho partilhar os meus pensamentos.

 

Jogabilidade :

Torment: Tides of Numenera optou por ser fiel as suas raízes e apresenta-se com uma visão isométrica, seguindo as pegadas de clássicos como Diablo ou Neverwhinter Nights. A personagem principal pode ser controlada simplesmente usando o rato, tornando todas as acções incrivelmente intuitivas. A exploração do mapa não só é aconselhada como incentivada, com pequenos detalhes escondidos num canto do mapa que podem ser a diferença na opinião de atitude tanto dos NPC’s como do resto da party.

No entanto o jogo apresenta algumas mecânicas inovadoras, como um sistema de probabilidade para cada acção tomada, podendo sacrificar atributos para melhorar essa percentagem. É uma ideia engraçada, mas achei que podia ter sido mais explorada.

 

Re-jogabilidade :

Durante o meu jogo, por várias vezes voltei a saves antigos para experimentar o resultado de outra decisões ou até para ver o que acontecia quando falhava alguma coisa. O jogo obriga-nos a tomar decisões, algumas com mais importância que outras, mas todas me pareciam levar mais ou menos ao mesmo sitio. Todos os jogadores vão chegar ao mesmo destino, mas cada um vai ter uma viagem diferente até la chegar.

 

O mundo e as pessoas :

De todas as personagens que vi durante o jogo a menos interessante é a personagem principal, mas isso seria de esperar, tal como me foi vendido no trailer, somos uma entidade acabada de nascer e apesar de existirmos num corpo muito superior ao de um mero mortal, não temos a experiência e sabedoria de uma pessoa vivida. No entanto esta falha é completamente ofuscada por tudo a nossa volta. Todas as personagens, membros da party ou não, estão incrivelmente bem concebidas, todas com uma historia, objectivos e defeitos, tudo características essenciais para uma boa personagem. O mundo é-nos vendido como um mundo já velho, que já viu várias civilizações a aparecer e a cair e nunca para de nos lembrar disso mesmo. Tão depressa estamos a ver cenários de um mundo de fantasy, como de ficção cientifica. Este mundo já viu de tudo e enquanto viajamos isso torna-se incrivelmente óbvio sem no entanto ser intrusivo para o jogador.

 

Ultimas palavras :

Se estão a procura do próximo Diablo, este não é o jogo para vocês. No entanto, se estão a procura de um jogo um pouco diferente, com um enorme foco em role-play e exploração e não só hack-and-slash é bem possível que Tides of Numenera seja o jogo para vocês. Apesar de não ser perfeito as coisas que jogo faz bem ultrapassam em muito as coisas que este faz mal e joga-lo é uma experiência que aconselho a todos os fans de RPG.

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