Zenith

Zenith é um jogo de aventura criado pelos estúdios indie Infinigon. Criado com o propósito de ser um RPG da ‘velha guarda’, este jogo tem muito poucos elementos de RPG para ser considerado como tal (apenas possui uma selecção de items, que infelizmente são poucos, e um sistema de experiência e subida de nível com habilidades também limitadas). Até mesmo na história, não existe qualquer possibilidade de escolha de diálogos ou de puder resolver as missões de mais do que uma maneira. O resultado final acaba por ser um jogo de aventura relativamente curto (aproximadamente 12 horas) que não tem qualquer inovação ou mecânica de destaque. Aliás, até possuiu várias limitações e bugs que o tornam fraco mecanicamente.

Contudo, Zenith possui um grande ponto muito forte: a história do jogo é bastante sólida, bem construída e repleta de comédia, sátira e humor. Quase todas as personagens são credíveis e o jogo faz comédia de muitos clichés usados noutros RPGs.

Neste jogo tomamos controlo de Argus Windell, um feiticeiro bastante capaz e com uma inteligência e perspicácia fantásticas e muito viradas para comentários sarcásticos e provocadores. Arcanologista (mago responsável por investigar ruínas antigas, procurar artefactos, etc) da Infinigon, o grupo de feiticeiros ao serviço do Império humano (um reino que junta magia, tecnologia avançada baseada em magia, e religião), a única coisa que Argus anseia é uma vida calma sem grandes problemas, longe da guerra com o império élfico, Homogeny, e a receber muito dinheiro pelas suas descobertas. Mas visto a guerra com os elfos estar a correr demasiado mal, a Infinigon destaca-o para explorar umas ruínas junto à fronteira juntamente com os seus companheiros Brekka (namorada) e Mordecai (superior directo), dentro das quais se encontra um ceptro poderoso do tempo em que os deuses caminhavam na terra, um artefacto que segundo as lendas contém poder suficiente para acabar com a Homogeny.

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No final do prelúdio, Argus e os companheiros são recompensados pelo próprio imperador por descobrirem e recuperarem o ceptro. Contudo, o primeiro acto do jogo começa 3 anos depois dessa descoberta, com Argus a trabalhar como um simples alquimista e vendedor de poções num dos cantos do que fora o Império humano. E era aí que ele planeava continuar a viver a sua vida se num dia não tivesse aparecido Alana, uma guerreira de cabelo azul, e o seu grupo a mostrar interesse numas ruínas onde ele guardou um artefacto poderoso. Com receio do que eles possam fazer com esse artefacto, Argus vê-se forçado a ir atrás deles para os impedir. E como não poderia deixar de ser, é aí que as coisas correm todas mal e ele se vê envolvido numa situação potencialmente perigosa para todo o mundo, situação essa que ele esperava já ter deixado para trás (passado que ficamos a conhecer através de flashbacks ao longo do jogo).

Não irei entrar em mais detalhes porque toda a história do jogo é bastante boa, com uma narrativa e personagens bastante cativantes, e mais detalhes irá acabar em grandes spoilers. Apenas irei dizer que apesar de ter apenas 12 horas de jogo, a história inclui imensos elementos que estão muito bem inseridos na narrativa e até mesmo as coisas que acontecem ao inicio do jogo, e que parecem ser simplesmente fillers, acabam por ter impacto mais à frente.

Para além da narrativa, o humor presente no jogo torna-o bastante agradável de jogar. Usando um misto de humor refinado e básico, embora por vezes o tente forçar, e uma enorme quantidade de sarcasmo, o jogo deixa-nos a rir em muitos momentos. Zenith pega também em muitos clichés de outros jogos ou histórias e faz sátira deles (como por exemplo, gozar com as Portas de Mória em O Senhor dos Anéis darem claramente a solução para as abrir e assim tornando-as uma barreira quase inútil contra intrusos), ou pega em personagens de outros jogos e histórias e faz o mesmo. Alguns exemplos são:

– Professor Atchett que dá a missão de encontrar um chapéu pontiagudo de feiticeiro vermelho e com estrelinhas e de encontrar uma gema da ‘cor da magia’ (clara referência a Terry Pratchet, à sua personagem Rincewind e ao seu livro A Cor da Magia),

– Lorde Voldimorte que foi expulso da Infinigon por tentar um ritual onde queria partir a sua alma em vários pedaços mas em vez disso ia destruindo a universidade

– Gerard de Riviera que se gabava de estar envolvido numa demanda muito intensa e interessante mas da qual se esquecia facilmente por haver tanta coisa extra para fazer e por a história se demorar a desenvolver (referência à saga The Witcher em que os jogos demoraram a sair e quando saem os jogadores passam mais tempo nas missões secundárias do que na principal).

– Um bravo guerreiro bárbaro que vem de uma terra onde a vida corria normalmente até de repente as mulheres na sua terra começarem a andar todas com roupas demasiado reveladoras (incluindo a famosa bikini-chainmail) ou até mesmo nuas e começarem-se a envolver em actos sexuais um tanto ou pouco depravados (clara referência a Skyrim e ao que os mods trouxeram ao jogo – muita nudez).

Entre muitos outros.

 

Má e limitada jogabilidade

Embora a história e narrativa do jogo o tornem interessante e façam valer a pena joga-lo, Zenith possui grandes falhas e limitações. A maior de todas as falhas, e a mais óbvia, são os terríveis controlos para PC. Dá a ideia de que o jogo foi feito principalmente para consolas e mal adaptado para computador. O uso do rato e a posição da câmara faz a personagem apontar os seus ataques para direcções inesperadas. O próprio movimento de Argus é por vezes difícil de controlar.

Juntamente com os controlos difíceis, existe também a câmara que se movimenta com o rato mas não deixa de estar fixa sempre no mesmo ângulo, causando por vezes dificuldade em perceber até onde está Argus ou se está bloqueado por algum objecto ou não.

Em termos de escolha de equipamento também estamos muito limitados e armas de combate temos de nos contentar com 9 diferentes mas bastante semelhantes: martelos, espadas, punhos sendo que cada um deles pode ser de um elemento diferente: fogo, gelo ou terra. Para além das armas temos também acesso a 3 pergaminhos com feitiços e a 3 gemas para ataques secundários, uma escolha demasiado limitada para o que queriam que fosse um RPG.

O sistema de combate é o típico de jogos de aventura: aponta para o inimigo, clica no botão para usares o ataque que queres (primário ou secundário). Tens vida e mana, sendo que o ataque secundário e o uso de pergaminhos a consomem. E claro está, existem poções de vida e de mana para ajudar. Em suma, nada de novo mas que tendo em conta os maus controlos do jogo se torna monótono e repetitivo. Em termos de inimigos, existem vários mas cuja maneira de atacar não varia, o que não ajuda na monotonia do sistema de combate.

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Juntamente com os problemas indicados em cima, o jogo tem uma banda sonora que embora agradável é curta e repetitiva. A falta de vozes também não ajuda, todos os diálogos são feitos através de texto.

 

Tudo isto faz com que Zenith seja um jogo que muitos possam gostar e outros odia-lo. Quem, como eu, gostar de uma boa narrativa e dar mais importância à história do que à jogabilidade, irá apreciar este jogo. Quem der mais importância à jogabilidade não irá gostar muito. E, claro, é preciso também atenção de que no que toca ao humor nem todos temos o mesmo: o que uns consideram engraçado e divertido, outros podem achar uma seca.

Pessoalmente acho que Zenith é um jogo que vale a pena jogar se quiserem ver uma boa história e narrativa e visto o jogo não ser longo os seus defeitos são facilmente suportáveis.

Portanto a avaliação que lhe faço é de 6,7 em 10.

 

 

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